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A droga da ‘decoreba’ para o vestibular

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Certos assuntos são realmente desgastantes! Como este a que me proponho escrever. Mas o desgaste faz parte de viver o intenso século XXI.  As lutas por nossos sonhos passam por pressões e, por vezes, verdadeiras batalhas e ritos de passagem típicos do nosso tempo.

De certa forma o vestibular é um deles! Dá-se em um cenário mais complexo, em uma trama mais elaborada, em um campo de batalha silencioso onde os guerreiros não se olham, mas se lançam ao combate total e absoluto e em luta apaixonada por uma vitória contada na forma numérica. Restrita, mas com sabor único de vitória saborosa!

Nesta complexidade, encontramos empresas que produzem provas de elevado teor de seletividade. O vestibular tem em seu ritual vicissitudes estratégicas e tradições típicas como os critérios de avaliação, o desvio padrão estatístico indelével e a nota de corte implacável! E o rito se torna puro cálculo. Quantos guerreiros são necessários derrubar para alcançar a vitória? Afinal, as vagas são insuficientes para tantos sonhadores dispostos a ir “às armas”!

Para estreitar este gargalo, são adotadas ferramentas igualmente tradicionais: os exames, as fases de avaliação, suas tendências, seus perfis mutantes em alguns casos e/ou excessivamente tradicionais em outros.  É nesse meio que encontramos o nosso tema: aquelas questões específicas, de elevado grau de dificuldade pelo elevado grau de detalhamento nos conceitos, domínio de processos, quantidades variadas de dados. Todos exigem que o guerreiro/vestibulando os domine muitas vezes “de cor”.

Volta e meia elas aparecem. Uma por disciplina em média. Uma por fase de seleção em média. Cobrando nomenclaturas complexas de componentes específicos de algum processo que já é explicado no enunciado, grandes detalhamentos de épocas específicas da história da humanidade sobre povos distantes do mundo judaico cristão ocidental, pequenas localidades geográficas de países distantes, seus rios, minérios e sítios geológicos específicos.

Tais habilidades estão relacionadas à competência de armazenamento de dados. Exercícios com a memória. Elaboração de banco de dados na máquina mental.

“Exagero!” é a primeira reação, claro!

“A porcentagem é pequena!”, verdade!

Mas existe! E elimina! Logo . . . O que fazer?!

Fugir e evitar e rezar para não acontecer?!  Nem na primeira, nem na segunda fase, nem nas habilidades específicas?! Mas o combate é grandioso! O contingente de guerreiros é quase seis vezes mais que as medalhas oferecidas aos vencedores. As empresas responsáveis pelas provas contratam especialistas de cada área e de cada disciplina para preparar o campo de batalha perfeito que fará a seleção de 6.000 para 1.000. Logo, escolheremos qual demônio para nos aterrorizar enquanto nos preparamos para esta face cruel e injusta do rito de passagem que já está no horizonte?

Sempre que me lembro, procuro saudar a todos quando entro em cada sala de aula com um vibrante “Bom dia guerreiros e guerreiras!”.  A maioria se assusta. Mas para mim é do que se trata. Combate! E um guerreiro que pretende vencer um combate tem de se preparar. Tem de exercitar a mente como se fosse um músculo atrofiado. Inclusive para os golpes mais fortuitos: as questões “conteudistas” ou – como são mais conhecidas – as questões “decoreba”.

Não sou particularmente fã delas, como profissional de vestibular, nem acredito que elas estejam de acordo com o próprio perfil desejado pelas instituições que tanto prezam por seus processos de seleção. Mas elas fazem parte da estratégia de combate, da estatística perversa! Então falemos delas logo de uma vez!

Como aquela famosa questão da FUVEST de 2010 que cobrava a relação direta entre um minério brasileiro e sua localização. As alternativas lançavam os nomes dos minérios, seus respectivos supostos projetos de mineração e unidade de relevo onde se localizavam com nomenclatura precisa de planaltos, chapadas e serras dispersos por vários estados brasileiros. Sem mapas, sem referências ou qualquer indicativo que favorecesse eliminação de qualquer afirmativa.

Confesso que, quando li essa questão pela primeira vez, senti meu estômago se contraindo como se tivesse sido alvejado por um golpe de boxeador! Um legítimo cruzado de direita bem dado mesmo!

Até hoje me questiono: que tipo de candidato é desejado em questões como essa?

“Exagero!” de novo seguem os fugitivos: “Foi há cinco anos!”.

Precisamente!

O índice de erro foi altíssimo! 73% segundo dados da própria FUVEST que tive o prazer de buscar pessoalmente na ocasião junto às fontes com as quais tinha contato na época. Logo, a margem de acerto por palpite ou – como queiram – “o chute”, foi altíssima certamente!

Quem sabe a localização precisa de cada um dos mais de 160 tipos de minérios extraídos no Brasil?

Como trabalhar a memória como se fosse um músculo retesado, atrofiado para apreender esse tipo de dados?

Exercício!

Um excelente atlas: físico (papel) e digital (mapas e cartas de internet com fonte confiável – consulte seus professores para materiais específicos referentes às outras áreas).

Canetas coloridas.

Folhas de papel de preferência quadriculadas para elaboração de tabelas, listas e esquemas.

O simples gesto de deitar a régua sobre o mapa das bacias hidrográficas brasileiras é um bom começo. Traçar a lápis um perfil AB, conhecido como Perfil ou Corte Longitudinal e iniciar a singela tarefa de transcrever quais rios encontram-se dispostos na bacia amazônica e quais estados eles atravessam é um bom começo.

Uma coloração de caneta ou lápis de cor para cada bacia hidrográfica ajuda a memorizar. As cores são um deleite para as sinapses cerebrais.

Fazer o mesmo com as unidades de relevo, minérios, clima e vegetação podem se tornar as tarefas seguintes. Um, dois, três perfis por semana e em um ou dois meses estará tudo resolvido.

Repetir o mesmo com os continentes do globo pode ser a tarefa seguinte.

Transformar os dados em tabelas coloridas, fixar esses materiais em local visível para rápidas consultas!

É um trabalho que só se faz uma vez. O restante é visitá-las com os olhos!

“Não há tempo!” argumentam os guerreiros desesperados!

Não consigo imaginar um guerreiro desesperado vencendo combate algum!

Entre os 45 exercícios de eletromagnética e os verbos irregulares em inglês, um atlas colorido, canetas de cores variadas e um pouco de trabalho braçal e mecânico pode ser uma oxigenação para outras partes da massa encefálica sobrecarregada! Rola até uma musiquinha em volume baixo para pano de fundo. Eu recomendo a quinta sinfonia de Mozart! Uma excelente mola propulsora energética!

Pense nisso!

Estamos em combate!

E na arte do combate, o domínio das estratégias aparentemente mais absurdas e inalcançáveis pode desencadear o golpe fatal que fará a diferença na hora da maldita nota de corte!

Saudações queridos guerreiros e guerreiras!

“Às armas!”

Professora Angélica Pastori
Bacharel em Geografia
Pesquisadora de Geopolítica da Amazônia
Professora do Cursinho Hexag Medicina
Professora do Cursinho Hexag Mackenzie
Coordenadora Expedicionária da Fundação Villas Bôas
Experiência de vinte anos de trabalho em Cursinho Pré-Vestibular

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

Angélica

Angélica é professora de Geografia no Hexag Vestibulares.

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