02/08/2021 Atualidades

O que é o Brexit e quais são as suas consequências?

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
O que é o Brexit e quais são as suas consequências?

O Brexit é um dos principais assuntos do cenário político-econômico internacional desde que a saída do Reino Unido da União Europeia começou a ser cogitada no início da primeira década desse século. No dia 31 de dezembro de 2020, o corte de laços foi finalmente sacramentado, levando a algumas consequências. Continue lendo para entender melhor.

O que é Brexit?

A palavra Brexit surgiu a partir da combinação de outras duas palavras: Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída). O termo foi cunhado pela primeira vez pelo ex-advogado Peter Wilding, em 2012. Muitos definem o Brexit como o “divórcio” entre o Reino Unido e a União Europeia.

Reino Unido e União Europeia: entendendo essa relação

O Reino Unido passou a integrar a Comunidade Econômica Europeia, organização que objetiva integrar economicamente os seus estados-membros, que se tornaria a União Europeia, em 1993.

Conhecida pela sigla “UE”, a União Europeia é formada por 27 países da Europa, sendo responsável por gerenciar as suas políticas econômicas, sociais e de segurança em comum. O Reino Unido era o 28º país componente do bloco.

Principais causas do Brexit

O Reino Unido sempre manteve uma postura de afastamento da União Europeia. O país possui sua própria moeda, a libra esterlina, não tendo aderido ao euro, além de ter algumas divergências em questões políticas centrais. O país não aderiu ao acordo do Espaço Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os países membros da União Europeia.

De acordo com os defensores do Brexit, o Reino Unido terá maior capacidade de gerir os movimentos migratórios e se ver livre de regulamentações onerosas para a economia ao se separar do bloco econômico.

Em 2008, o movimento a favor do desligamento cresceu incentivado pela grave crise financeira. Pessoas de países mais pobres da União Europeia passaram a migrar para as nações mais ricas. Estima-se que o medo, que pode ser considerado xenofobia em algum grau, do aumento do número de refugiados da Síria, Oriente Médio e África tenha contribuído.

Referendo

No ano de 2012, David Cameron, o então primeiro-ministro, prometeu que realizaria um referendo a respeito da permanência do Reino Unido no bloco econômico. A promessa foi cumprida no dia 23 de junho de 2016. Cameron renunciou logo após o resultado do referendo, cuja maioria de votos era a favor de sair da UE.

Referendos são realizados comumente no Reino Unido como uma forma de consultar a população a respeito de qual decisão tomar. Os eleitores foram convocados às urnas pelo parlamento britânico para responder a seguinte pergunta: “O Reino Unido deve continuar a ser membro da União Europeia ou deixar a União Europeia?”. O resultado foi que 51,89% dos eleitores votaram a favor de deixar a UE.

Negociações

David Cameron renunciou ao cargo de primeiro-ministro, alegando que as negociações do Brexit deveriam ser conduzidas por um novo líder. Theresa May assumiu o cargo e deu início a uma negociação que durou anos com a UE. Em 7 de junho de 2019, May renunciou ao cargo pelo fracasso na empreitada da negociação.

Boris Johnson, ex-ministro das Relações Exteriores, assumiu o cargo de primeiro-ministro depois de ter feito uma campanha forte, dizendo que conseguiria concluir o Brexit rapidamente. No dia 31 de janeiro de 2020, o Reino Unido declarou que estava deixando a União Europeia.

Transição

A partir do anúncio da saída do Reino Unido, teve início um período de transição de 11 meses. Nesse período, tudo continuou como sempre, o Reino Unido se manteve cumprindo as leis e as regras do bloco econômico. Nessa fase de transição, foram negociadas as condições de novo relacionamento entre o Reino Unido e a UE.

No dia 24 de dezembro de 2020, os negociadores das duas partes chegaram a um consenso a respeito de como seria esse relacionamento, houve desdobramento em três acordos: Acordo de Comércio e Cooperação; Acordo de Segurança da Informação e Acordo de Cooperação Nuclear. As regras definidas por esses acordos passaram a vigorar no dia 1° de janeiro de 2021.

Consequências do Brexit

Devido ao fato de o Brexit ser recente, ainda vai levar algum tempo para que sejam identificadas as verdadeiras consequências nas relações internacionais, especialmente fora do continente europeu. Vale citar que a América também passou por um momento de transição significativo com a saída de Donald Trump da presidência dos Estados Unidos.

Embora ainda haja muita incerteza a respeito do que acontecerá depois do Brexit, há algumas consequências desse desligamento que já podem ser observadas, confira abaixo:

Fim da mobilidade

Com o desligamento, cidadãos da UE não têm mais o direito de se mudarem livremente para o Reino Unido e vice-versa. É importante dizer que britânicos que já moravam na UE e cidadãos da UE que já moravam no Reino Unido mantêm os seus direitos de residência, bem como os benefícios.

Telefonia

Celulares de cidadãos britânicos poderão ter cobradas taxas por empresas de telefonia da UE quando usados nos países do bloco.

Qualificações profissionais

A qualificação profissional dos cidadãos da UE e de britânicos pode não ser mais reconhecida nos dois territórios.

Seguros e licenças

Houve mudanças em algumas políticas sobre seguro-saúde para viagens, assim como para licenças de direção e para viajar com animais.

Acordos de cooperação

O Reino Unido pode enfrentar algumas dificuldades devido à falta de acordos de cooperação, em especial no que diz respeito a disputas judiciais internacionais.

Comércio

Houve mudanças nas regras de comércio, algo que pode acarretar a taxação de produtos e restrições alfandegárias.

Solicitações de asilo

Cidadãos da UE e cidadãos britânicos que solicitarem asilo político poderão ser barrados em ambos os territórios.

O Brexit é um dos principais acontecimentos do mundo neste começo do novo século!

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