20/01/2022 Atualidades

Qual a relação entre pandemia e exclusão digital?

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Qual a relação entre pandemia e exclusão digital?

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de desafios para a humanidade e lançou luz sobre novos tipos de desigualdade. Nesse âmbito, um dos destaques fica para a exclusão digital que colocou algumas camadas populares à margem da sociedade.

O acesso à internet tornou-se uma barreira para que muitas pessoas pudessem prosseguir seus estudos. Continue lendo para entender mais sobre o tema.

Exclusão digital: desigualdade evidenciada pela pandemia

Praticamente, do dia para a noite a vida como conhecemos se transformou. A ameaça invisível imposta pelo novo coronavírus gerou a necessidade de isolamento social. Contudo, atividades de trabalho e estudantis não podem simplesmente ser suspensas sem nenhuma medida. 

Logo, surgiu a possibilidade de realizar diferentes atividades online. Tudo parecia bem, no entanto, foi aí que se evidenciou um novo tipo de desigualdade, a exclusão digital. No Brasil e no mundo ainda há uma parcela da população que não tem acesso à internet. 

Dentre aqueles que estão inseridos no mundo digital ainda há aqueles que possuem acesso precário à rede. O fato de existir pessoas à margem do “mundo online” amplia ainda mais as distâncias entre os mais e os menos favorecidos. Tal divisão digital produz uma série de efeitos nocivos do ponto de vista social.

Os diferentes graus da exclusão digital

Como já mencionado, há diferentes graus de exclusão digital, desde aqueles que não têm acesso, passando por aqueles que têm acesso precário, culminando naqueles que têm acesso relativamente bom, mas sem condições de realizar atividades online com qualidade.

A ideia de teletrabalho e estudo online é bastante interessante, porém, numa casa com dois quartos, mais de dois filhos e pai e mãe precisando trabalhar remotamente pode ser complexo. Trabalhar ou estudar online demanda concentração na tela do smartphone ou do notebook com uma qualidade mínima de conexão.

Inserido num contexto em que há várias situações acontecendo em volta, pode ser estressante e quase uma missão impossível realizar suas atividades. Logo, a exclusão digital deve ser entendida em todos os aspectos, inclusive olhando para as pessoas que têm conexão. O trabalho e o estudo online demandam mais do que conexão, exigem condições para que o indivíduo possa se concentrar com qualidade.

Falta de dispositivos e de conexão

Obviamente, os casos de maior gravidade nesse contexto de exclusão digital são aqueles em que os indivíduos não têm dispositivos e nem conexão. Os números de evasão escolar subiram consideravelmente nos anos de 2020 e 2021. O fato de não ter acesso às aulas e avaliações fez com que muitos estudantes simplesmente desistissem de se manter estudando.

Com esse panorama diante dos nossos olhos, fica evidente que o acesso à internet já se tornou um novo direito social. Essa questão não era tão debatida e nem abordada pelos programas de gestão dos governos até tornar-se uma realidade bastante inconveniente. Para os próximos anos, o que se espera é uma atenção maior ao direito de acesso à internet. 

Em um mundo que já é digital, não dá para separar o acesso à internet de prioridades como saúde, educação e deslocamento. Até porque em uma situação de pandemia estar online é o que garante o prosseguimento dos estudos e do trabalho. Mais do que ampliar o acesso à internet, é fundamental ampliar o acesso de qualidade, de conexão e ambiental, à internet. 

Inclusão “forçada” dos docentes

Durante a pandemia, tornou-se imprescindível suspender atividades como aulas presenciais em escolas e universidades. Para manter o cronograma educacional foi necessário que os docentes passassem a produzir aulas para as telas digitais. Porém, não se considerou que boa parte dos professores não sabia como fazer essa transição e alguns nem acesso de qualidade à internet possuíam

Mesmo nos casos com menos desfavorecimentos econômicos, não há como ignorar barreiras como o desconhecimento do uso de ferramentas digitais por parte dos docentes. Até aquele momento não era necessário saber gerir videochamadas virtuais ou entender como compartilhar sua tela. A entrada da tecnologia na didática alterou consideravelmente a didática.

Ao longo da história da humanidade, a forma como a educação é realizada mudou, chegando ao formato conhecido até então, com aulas presenciais. No entanto, de um momento para o outro um novo salto precisou ser dado, levando ao surgimento das aulas virtuais. De maneira geral, os professores não receberam o preparo adequado para essa nova situação.

Um novo tempo já começou

A pandemia gerou grande sofrimento ao mundo e certamente modificou de formas sem precedentes o estilo de vida moderna. Mudanças que deveriam ocorrer em anos foram aceleradas, atribuindo ainda mais relevância social à inclusão digital. 

Para que o fosso das desigualdades possa ser reduzido, é fundamental preencher as lacunas de acesso que ainda existem. Os governos têm um papel essencial para tentar diminuir essas distâncias, garantindo mais oportunidades para os menos favorecidos socialmente. 

A exclusão digital tornou-se mais evidente em um momento em que estar online representou se manter produzindo.

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