10/11/2021 Cultura e Lazer

Folclore Brasileiro. Vamos falar sobre esse importante patrimônio?

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Folclore Brasileiro. Vamos falar sobre esse importante patrimônio?

O folclore brasileiro contempla o conjunto de realizações que compõem a cultura popular do nosso país. Dessa forma, cabem dentro dessa definição as lendas, contos, músicas, jargões, canções, ritmos, literatura, festas populares, entre outros. Os primeiros estudos a respeito do nosso folclore tiveram início no século XIX de forma tímida. No século seguinte, esses estudos ganharam mais espaço.

O Brasil possui um folclore bastante rico, cujas influências incluem as culturas indígena, africana e europeia. Continue lendo para entender melhor por que é tão relevante valorizar e falar a respeito desse patrimônio.

Folclore Brasileiro: conheça a sua história

O estudo do folclore brasileiro se consolidou no século XX, tornando-se uma área de pesquisa. No entanto, as suas raízes remontam ao século XIX. A influência do Romantismo foi bastante relevante para que tais estudos despertassem interesse, pois essa corrente artística estava fortemente ligada a movimentos nacionalistas. Os elementos da cultura nacional passaram a ser exaltados. 

O Modernismo, corrente artística e literária que se destacou no começo do século XX, reforçou a importância de valorizar o folclore brasileiro. As ideias ufanistas do movimento modernista idealizavam o interior do país como sendo o local da brasilidade verdadeira. 

Estudar o folclore brasileiro passou a ser entendido como uma prática de valorização da cultura nacional. Nomes como Sílvio Romero e Amadeu Amaral tiveram um papel bastante importante para que esse estudo tivesse início no século XIX. Já no século XX, outros nomes ganharam destaque nessa área de pesquisa, como os de Arthur Ramos e Mário de Andrade.

Mário de Andrade

O escritor modernista teve grande importância para a consolidação dos estudos a respeito do folclore brasileiro. Essa relevância foi reforçada quando ele esteve à frente do Departamento de Cultura do Estado de São Paulo. Foram desenvolvidos estudos que aproximaram o folclore de campos como os das ciências humanas e sociais. 

Recomendação da Unesco

A Unesco (entidade que possui vínculo com a ONU) recomendou, na década de 1940, que fosse realizado o estudo e preservação do folclore nacional. Essa recomendação teve grande influência em nosso país e levou à criação da Comissão Nacional de Folclore no ano de 1947. Houve o crescimento do estudo da área e isso levou à organização do I Congresso Brasileiro de Folclore, em 1951, no Rio de Janeiro. 

Carta do Folclore Brasileiro 

Esse congresso promoveu o debate a respeito do que era o folclore brasileiro e o que deveria ser abarcado nessa definição. O congresso emitiu um documento que se tornou conhecido como “Carta do Folclore Brasileiro” e que serviu para nortear os debates a respeito de estudos sobre folclore nas décadas posteriores. 

O documento estabeleceu que o estudo fazia parte das ciências antropológicas e culturais. O folclore foi definido como sendo as formas de pensar, agir e sentir de um povo que foram preservadas pela tradição popular. Também ficou definido que era constituído por elementos chamados de “fatos folclóricos” que tivessem algumas características, como origem popular e aceitação coletiva. 

Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro (CDFB)

A Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro (CDFB) foi criada em 1958, durante o governo de Juscelino Kubitschek. O principal objetivo era preservar o acervo folclórico do Brasil. A principal difusora de estudos da área durante a década de 1960 foi a Revista do Folclore Brasileiro. 

A ditadura militar, que teve início com o golpe militar de 1964, interrompeu os estudos realizados pela CDFB, que foram retomados apenas a partir do ano de 1976. O prédio da CDFB foi fechado como um símbolo da repressão do regime militar. Na porta do edifício foi colocado um cartaz que dizia que o motivo do fechamento era que se tratava de um “antro de comunistas”. 

VIII Congresso Brasileiro de Folclore

O VIII Congresso Brasileiro de Folclore, realizado em Salvador no ano de 1995, deu novo fôlego às pesquisas nessa área. Um novo documento, com base na Carta do Folclore Brasileiro de 1951, foi emitido com atualizações relevantes. A Constituição de 1988 passou a dar garantias de preservação do patrimônio folclórico nos artigos 215 e 216. 

Manifestações do Folclore Brasileiro

No VIII Congresso Brasileiro de Folclore, ficou definido que o folclore brasileiro é resultante das criações culturais de uma comunidade. Logo, é possível incluir histórias de personagens folclóricos e contos, assim como festas populares, danças, ritmos musicais, brincadeiras, entre outros.

Dentre os exemplos estão o carnaval, a festa junina, o samba, o baião, a folia de reis, a literatura de cordel, o frevo e a catira. 

Personagens do Folclore Brasileiro

Quando se fala a respeito do folclore brasileiro, é bastante natural pensar nos personagens das nossas lendas, como o saci-pererê e o boitatá, por exemplo. Saiba mais sobre eles a seguir.

Saci-pererê

O saci-pererê é uma entidade do nosso folclore conhecida por ser zombeteira. O pequenino de uma perna só faz travessuras contra os viajantes e também contra os moradores da zona rural. Ele usa um gorro vermelho. 

Boitatá

Caracteriza-se por ter a forma de uma cobra de fogo e atacar quem incendiava a floresta. 

Curupira

A principal característica do Curupira é ter os pés virados para trás com os calcanhares na frente. O personagem pequenino e de cabelos vermelhos tem como função proteger a floresta, aterrorizando aqueles que a destroem.

Boto cor-de-rosa

Nessa lenda amazônica, o boto cor-de-rosa se transforma em um homem muito bonito que seduz as mulheres solteiras, deixando-as grávidas. 

Mula sem cabeça

Mulheres que mantinham relações sexuais com sacerdotes poderiam ser amaldiçoadas de acordo com essa lenda, virando uma mula que solta fogo pela cabeça. 

Dia do Folclore Brasileiro

O Dia do Folclore Brasileiro é celebrado em 22 de agosto e sua criação se deu através do Decreto nº 56.747, assinado no dia 17 de agosto de 1965 pelo então presidente militar Humberto Castello Branco. 

O folclore brasileiro é uma das maiores riquezas do Brasil!

Retornar ao Blog