06/04/2021 Cultura e Lazer

O que significa etnocentrismo?

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
O que significa etnocentrismo?

Entender o que significa etnocentrismo é essencial para ter uma visão de mundo mais abrangente. Esse é um conceito antropológico que se refere à observação de outra etnia a partir da sua própria. O ponto de vista do indivíduo etnocêntrico é o de que sua etnia se mostra superior em relação às demais e suas derivações como idioma, cultura, hábitos, entre outros.

Entenda o que significa etnocentrismo

Para entender o conceito de etnocentrismo, é interessante compreender os dois radicais que formam essa palavra. O radical “etno” deriva de etnia, que diz respeito a uma semelhança de hábitos, cultura e costumes. Já o radical “centrismo”, refere-se a colocar algo no centro, de maneira a ser o foco central de todo o resto.

Logo, etnocentrismo nada mais é do que enxergar a sua etnia como o centro de tudo, ou seja, ter uma visão de mundo em que todo o resto é avaliado a partir da sua etnia. Nessa visão se desconsidera outras culturas ou, então, se coloca a própria cultura como superior às demais.

Do ponto de vista intelectual, trata-se de uma dificuldade de pensar a respeito da diferença. Do ponto de vista afetivo, reflete sentimentos como hostilidade, medo e estranhamento do diferente. É importante dizer que o etnocentrismo pode se relacionar com a xenofobia, a intolerância e o racismo, embora, não sejam, necessariamente, a mesma coisa.

Etnocentrismo e suas relações com racismo, xenofobia e intolerância religiosa

A seguir vamos explicar detalhadamente como o etnocentrismo pode estar relacionado à xenofobia, racismo e intolerância.

A relação entre etnocentrismo e racismo

Antes de qualquer coisa, é necessário pontuar que o etnocentrismo parte de uma diferenciação por etnia, enquanto o racismo parte de uma diferenciação a partir da ideia de raça. A noção de raça foi construída socialmente no decorrer dos anos, entendendo que a posição de grupos étnicos distintos poderia estar relacionada com diferentes “raças”.

Na antropologia e na sociologia, a noção de raça vem caindo em desuso, pois foi elaborada com o objetivo de dividir a espécie humana em raças hierarquizadas, em que haveria algumas superiores e outras inferiores.

Durante o século XIX, a antropologia enveredou por um caminho que visava realizar uma associação entre desenvolvimento cultural e raça (entendida como um aspecto biológico). Acreditava-se que as “culturas superiores” eram resultantes de raças superiores, enquanto “culturas inferiores” estavam relacionadas a raças inferiores.

Essa era uma visão etnocêntrica em que o homem branco europeu estava no centro e que foi usada como justificativa para a exploração dos povos africanos, indianos, asiáticos, nativos da Oceania e das Américas.

A relação entre etnocentrismo e xenofobia

A xenofobia nada mais é do que uma verdadeira aversão ao estrangeiro, ao que vem de fora. Tendo uma visão de mundo etnocêntrica, o indivíduo tende a entender o estrangeiro como inferior no tocante à religião, hábitos, costumes, valores, entre outros. Cria-se o entendimento do que aquilo que vem de fora é inferior ao que já estava estabelecido.

A relação entre etnocentrismo e intolerância religiosa

Esse tópico é bastante semelhante ao que foi apresentado acima, porém, direcionado para a religião, trata-se da intolerância religiosa. Nesse caso, existe a tendência de enxergar a religião do outro como menos relevante e até errada. Essa visão hierarquizada das religiões contribui para a formação do que é chamado de etnocentrismo religioso.

O que é etnocentrismo religioso?

O etnocentrismo religioso se caracteriza por um entendimento da religião dos outros como inferior em relação à sua própria. Passa a existir preconceito em relação às manifestações espirituais do outro. Um exemplo bastante emblemático do etnocentrismo religioso foram as campanhas empreendidas pelos jesuítas para catequizar os povos indígenas.

O etnocentrismo religioso da época colocava o cristianismo como a principal religião. Dessa forma, os europeus focaram em converter o maior número de nativos indígenas quando chegaram ao território brasileiro. Para a cristandade, era uma missão sagrada fazer a conversão desses povos para a religião cristã.

Eurocentrismo

Ao longo desse artigo, ficou evidente que os europeus assumiram uma postura etnocêntrica em diferentes vieses ao longo da história. A ideia de que o homem branco europeu é o modelo de homem civilizado recebeu a alcunha de eurocentrismo, isto é, os europeus são o centro. Até o começo do século XIX havia diversas evidências pseudocientíficas que embasavam essa visão.

A partir desses dados, que não tinham nenhuma base científica, ficou estabelecida uma linha evolutiva da cultura que passava pelos seguintes estágios de desenvolvimento: selvagens, bárbaros e civilizados. Em outras palavras, nessa época quem era branco e europeu era visto como alguém que estava no ápice da evolução cultural e social.

O Relativismo Cultural e o etnocentrismo

A linha de pensamento antropológica conhecida como Relativismo Cultural tem como objetivo a relativização das culturas, levando à instituição de uma teoria geral do Relativismo Cultural. A metodologia de embasamento desse conceito permite a análise de diversos sistemas culturais sem que se tenha o determinismo da visão etnocêntrica como guia.

O Relativismo Cultural entende cada ato como algo que está inserido em um contexto. É uma perspectiva que permite entender que o outro também possui seus valores e que devemos observá-los.

O entendimento do significado de etnocentrismo permite compreender diversas questões de embates culturais. Para conferir mais conteúdos sobre temas da atualidade, fique ligado no blog do Hexag Medicina!

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