27/12/2021 Geografia

Refugiados climáticos: como o aquecimento global pode mover populações

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Refugiados climáticos: como o aquecimento global pode mover populações

O aquecimento global já é uma realidade que interfere na vida de pessoas de diferentes partes do globo. A aceleração das mudanças climáticas, nos últimos anos, tem feito com que populações inteiras precisem se deslocar para ter condições de produzir alimentos assim como ter acesso a água. 

Essas pessoas têm sido chamadas, não oficialmente, de refugiados climáticos. Continue lendo para entender mais sobre essa difícil situação que tende a se intensificar nos próximos anos.

Como o aquecimento global levou ao surgimento dos refugiados climáticos?

Em 1951, a Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, contribuiu para a definição de refugiado. Basicamente, considera-se um refugiado aquele indivíduo que cruza uma fronteira internacional com base em um medo bem fundamentado de ser perseguido.

Essa perseguição pode ter cunho religioso, racial, de nacionalidade, opinião política ou devido à participação em determinados grupos sociais. Partindo desse conceito surgiu um novo termo, que não é reconhecido oficialmente, refugiados climáticos ou migrantes climáticos.

Compõem esse grupo pessoas que se viram obrigadas a se deslocar devido à ocorrência de desastres ambientais. Tais ocorrências estão se tornando mais frequentes pela intensificação do aquecimento global. 

Por que refugiados climáticos ainda não são reconhecidos?

A relutância em reconhecer oficialmente a existência de refugiados climáticos está no grande impacto político e econômico que essa classificação pode gerar. Além disso, em grande parte dos casos, o deslocamento dos refugiados se dá dentro das fronteiras de seus países.

O aquecimento global e as mudanças climáticas que ele gera afetarão algumas regiões mais intensamente do que outras. A região Nordeste do Brasil, por exemplo, tende a ser mais afetada pelas mudanças do clima, que podem levar a um processo de desertificação.

A concretização dessa projeção levará milhares de pessoas a se deslocarem para outras regiões. Não ter um plano de ação e ignorar essas grandes mudanças colocará a população em risco. Inclusive, a estrutura da nação passa a ficar ameaçada, uma vez que um grande volume de pessoas irá se refugiar em outros locais. 

Mudança climática: mudança na vida de milhões de pessoas

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados divulgou que desde 2010 aproximadamente 21,5 milhões de pessoas se deslocaram em decorrência de mudanças climáticas. Os desastres súbitos, como furacões, enchentes e ciclones, são apenas parte da equação. 

O aquecimento global tem gerado grandes dificuldades de acesso à água potável e isso leva a sérios prejuízos para as plantações e para a criação de gado. A alimentação tem se tornado uma questão complexa nesse contexto.

O aumento do nível do mar é outra possível consequência do aquecimento do planeta. No decorrer das últimas três décadas, cresceu em 100 milhões o número de pessoas que vivem em regiões de costa sob ameaça de submersão. 

Aquecimento global: dificuldades desiguais

Embora, todo o planeta seja afetado pelo aquecimento global, há regiões mais vulneráveis do que outras. Geralmente, essas regiões não têm recursos suficientes para se adaptar a situações hostis decorrentes de tempestades, grandes incêndios, entre outros. Populações inteiras podem se ver na iminência de se deslocar do dia para a noite. 

Em boa parte dos casos, essas pessoas vão para regiões ou países a respeito dos quais pouco sabem. Com tamanha dificuldade, é fundamental que haja ajuda internacional para que seja possível para essas pessoas se restabelecerem em um novo lar. O Sahel, região da África localizada entre o deserto do Saara e o Sul do continente, é um dos pontos do globo mais vulneráveis às mudanças climáticas.

O deslocamento, motivado pelas mudanças do clima, nessa região é bastante intenso. Além disso, é uma região que sofre com a extrema violência e pobreza. Mais de 3 milhões de pessoas já se deslocaram. Outras partes do mundo que também sofrem intensamente com esse deslocamento de viés climático são China, Índia, Bangladesh e Filipinas. 

De acordo com um relatório do Banco Mundial, a América Latina pode ter 17 milhões de pessoas forçadas a se deslocar até 2050 por causa de mudanças climáticas. No mundo todo esse número pode alcançar o montante de 216 milhões de pessoas. Desse número, 40% devem ser advindos da África Subsaariana. 

O Brasil e os refugiados climáticos

Algumas regiões do Brasil demandam mais atenção devido às mudanças climáticas, como o já citado Nordeste. As temperaturas estão cada vez mais altas e o processo de desertificação está se intensificando, obrigando, assim, inúmeras migrações. No entanto, outras regiões também precisam de atenção, como a Amazônia, por exemplo, que pode enfrentar poderosas estiagens. 

No Sudeste a preocupação está na possibilidade de ocorrência de tempestades intensas, o que leva a enchentes e deslizamentos. Juntas, essas regiões possuem mais de 150 milhões de habitantes. Boa parte dessas pessoas pode se encontrar em situação de vulnerabilidade. 

O tema vem despertando cada vez mais atenção das autoridades e de instituições privadas no mundo todo pela proporção que vêm tomando. Em alguns países, esse tipo de migração é vista com grande desconfiança e se configura como uma questão de segurança nacional. 

Refugiados e sua contribuição

Vivemos um momento em que é importante desmistificar a imigração como algo danoso para o país que recebe esses indivíduos. Nos Estados Unidos, para se ter uma ideia, em torno de 40% das 500 maiores empresas do país foram criadas por imigrantes ou por filhos desses imigrantes. 

Esse dado é da organização Refugee Investment Network e demonstra o quanto essas pessoas estão dispostas a trabalhar e contribuir para o crescimento das nações para as quais migram. Esses indivíduos pagam impostos e constroem suas riquezas, agregando com o crescimento do país também.

A questão dos refugiados climáticos vem ganhando cada vez mais espaço por ser uma questão de urgência!

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