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Principais Desastres Nucleares da História: Causas e Consequências

Saiba quais foram os principais acidentes nucleares da história

Se você está se preparando para o vestibular de Medicina, sabe que a Física e a Química não caminham sozinhas. A história dos principais acidentes nucleares é um tema interdisciplinar clássico que conecta conhecimentos sobre radioatividade, geopolítica e impactos biológicos no corpo humano.

Ao longo das décadas, falhas humanas e desastres naturais provocaram eventos que mudaram nossa compreensão sobre a energia atômica e seus riscos.

Neste artigo, vamos explorar os principais eventos dessa natureza segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Essa organização criou a Escala Internacional de Eventos Nucleares (INES) em 1990 para classificar a gravidade desses ocorridos, que vai do nível 0 ao 7.

Dominar esse assunto é essencial para ampliar o conhecimento e aplicar em questões do Enem e dos vestibulares mais concorridos.

Conheça os principais acidentes nucleares

Abaixo listamos os eventos mais críticos que você precisa conhecer. Eles não apenas moldaram as normas de segurança atuais, mas também deixaram cicatrizes profundas no meio ambiente e na saúde pública.

Acidente de Chernobyl (1986) – Ucrânia

Chernobyl costuma ser o evento mais cobrado em provas e considerado o pior acidente nuclear da história, atingindo o nível 7 na escala INES. O desastre ocorreu na madrugada de 26 de abril de 1986, perto da cidade de Pripyat, na antiga União Soviética.

Tudo começou durante um teste de segurança mal executado no reator 4 da usina. Erros operacionais e falhas no projeto do reator RBMK levaram a um superaquecimento e a uma explosão de vapor que destruiu o teto do local.

O incêndio subsequente liberou uma nuvem radioativa contendo iodo-131, césio-137 e outros isótopos perigosos na atmosfera. A quantidade de radiação liberada foi cerca de 400 vezes maior que a da bomba de Hiroshima.

Milhares de casos de câncer de tireoide foram registrados em crianças e adolescentes na Ucrânia, Bielorrússia e Rússia devido à exposição ao iodo radioativo. A região ao redor da usina, conhecida como Zona de Exclusão, permanece inabitável e continuará assim por milhares de anos.

Fukushima Daiichi (2011) – Japão

O segundo acidente a atingir o nível 7 na escala INES aconteceu recentemente, em 11 de março de 2011. Diferente de Chernobyl, a causa primária não foi falha humana direta, mas um desastre natural.

Um terremoto de magnitude 9,1 na escala Richter gerou um tsunami com ondas de mais de 40 metros que atingiram a costa nordeste do Japão. A água inundou os geradores a diesel responsáveis pelo resfriamento de emergência da usina. Sem refrigeração, os núcleos de três reatores derreteram, o que gerou o acúmulo de gás hidrogênio e subsequentes explosões.

Embora não tenha havido mortes imediatas pela radiação, mais de 160 mil pessoas precisaram ser evacuadas e o impacto ambiental no Oceano Pacífico foi significativo.

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Kyshtym (1957) – Rússia

Este acidente permaneceu em segredo por muitos anos devido à Guerra Fria. Ocorreu na usina de Mayak, uma instalação secreta de produção de plutônio para armas nucleares na União Soviética.

Em 29 de setembro de 1957, uma falha no sistema de refrigeração de um tanque de resíduos nucleares provocou uma explosão química não nuclear, mas com força suficiente para liberar 20 milhões de curies de radioatividade.

O evento atingiu o nível 6 na escala INES e contaminou uma área enorme, exigindo a evacuação de mais de 10 mil pessoas. O governo soviético manteve o silêncio sobre as causas reais, e muitos moradores só souberam dos riscos quando começaram a apresentar sintomas graves de contaminação radioativa anos depois.

Three Mile Island (1979) – Estados Unidos

Considerado o acidente mais grave em solo norte-americano, ocorreu na Pensilvânia e atingiu o nível 5 na escala INES. Uma falha mecânica em uma válvula de alívio, somada a erros de interpretação dos operadores na sala de controle, levou à perda de refrigerante e ao derretimento parcial do núcleo do reator.

Felizmente, a estrutura de contenção do prédio funcionou e impediu que a maior parte da radiação escapasse para o meio ambiente. Apesar disso, o pânico gerado levou cerca de 140 mil pessoas a deixarem suas casas temporariamente. Esse evento mudou drasticamente os protocolos de segurança nuclear no ocidente.

Windscale (1957) – Reino Unido

Aconteceu no Reino Unido, também classificado como nível 5. Durante a pressa para desenvolver uma bomba atômica britânica pós-Segunda Guerra, um incêndio atingiu o núcleo de grafite do reator. O fogo ardeu por dias, liberando isótopos radioativos como o polônio-210 pelo ar.

O governo tentou minimizar a gravidade do incidente para proteger a imagem do programa nuclear, mas o leite produzido na região foi contaminado e teve sua venda proibida num raio de 500 km. Estima-se que centenas de casos de câncer na região possam ser atribuídos a esse vazamento.

Tokaimura (1999) – Japão

Esse acidente de nível 4 serve como um alerta sobre a importância dos protocolos de segurança laboratoriais. Em uma instalação de processamento de combustível, trabalhadores violaram as normas e misturaram uma quantidade de urânio muito superior ao limite de segurança em um tanque de precipitação.

Isso iniciou uma reação em cadeia de fissão nuclear não controlada (criticalidade), liberando nêutrons e radiação gama. Dois funcionários morreram devido à síndrome aguda da radiação e centenas de pessoas foram expostas. O caso reforçou a necessidade de automatização em processos que envolvem materiais físseis.

Goiânia (1987) – Brasil

Para o vestibular, este é um tópico obrigatório. O acidente com o Césio-137 em Goiânia é classificado como nível 5 e é o maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de uma usina nuclear. Tudo começou quando dois catadores de sucata encontraram um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radioterapia.

Ao desmontarem a máquina, eles encontraram uma cápsula contendo cloreto de césio, um sal que emitia um brilho azulado no escuro. Fascinado, o dono do ferro-velho, Devair Ferreira, distribuiu o material entre familiares e amigos.

A contaminação interna e externa resultou em quatro mortes diretas, incluindo a menina Leide das Neves, e centenas de pessoas monitoradas. O evento gerou toneladas de lixo radioativo que hoje estão armazenadas em um depósito em Abadia de Goiás.

First Chalk River (1952 e 1958) – Canadá

É interessante notar que o Canadá foi palco de dois acidentes nucleares pioneiros na década de 1950, ambos nos laboratórios de Chalk River, em Ontário.

O primeiro ocorreu em dezembro de 1952, quando uma falha no desligamento do reator NRX, somada a decisões equivocadas dos operadores, gerou uma reação em cadeia de fissão nuclear descontrolada. Isso duplicou a potência do reator e causou uma explosão que destruiu seu núcleo, liberando partículas radioativas na atmosfera e contaminando milhares de litros de água.

Uma curiosidade histórica que pode cair em questões interdisciplinares é que Jimmy Carter, que mais tarde se tornaria presidente dos Estados Unidos, era engenheiro nuclear da Marinha na época e foi um dos militares enviados para ajudar na limpeza do local.

Anos depois, em 1958, houve outro incidente no mesmo local, quando barras de urânio superaqueceram e causaram um incêndio.

Saint-Laurent (1969 e 1980) – França

A França, que hoje tem uma matriz energética fortemente baseada em nucleares, também enfrentou problemas sérios na usina de Saint-Laurent. Ocorreram dois acidentes de nível 4 nessa mesma instalação.

O primeiro foi em 1969, quando uma falha técnica e erro humano levaram ao derretimento de 50 quilos de urânio no reator UNGG.

Mais tarde, em 1980, o sistema de resfriamento falhou novamente, provocando o derretimento de 20 quilos de combustível nuclear. Embora as autoridades tenham afirmado que não houve danos ambientais significativos fora da usina, a limpeza do segundo acidente levou 29 meses e envolveu centenas de especialistas.

Usina Experimental SL-1 (1961) – Estados Unidos

Este caso é um exemplo trágico de falha operacional direta. Em janeiro de 1961, em Idaho, o reator experimental SL-1, que fornecia energia para instalações militares, sofreu uma explosão de vapor instantânea.

O acidente aconteceu quando operadores retiraram manualmente uma haste de controle central além do limite permitido durante um procedimento de manutenção. A reação foi tão violenta que matou três operadores na hora.

Embora a contaminação tenha ficado restrita às instalações, serviu de alerta para os perigos da manipulação manual em reatores.

Jaslovskè Bohunice (1977) – Tchecoslováquia

Na antiga Tchecoslováquia (atual Eslováquia), a usina de Bohunice sofreu um acidente de nível 4 em 1977. O problema começou durante uma troca de combustível de rotina, quando os absorventes de umidade que cobriam as barras de combustível não foram removidos corretamente.

Isso causou um superaquecimento que levou à corrosão do reator e ao vazamento de gases radioativos. Como era comum em regimes fechados da época, o governo soviético encobriu o fato e não existem dados oficiais precisos sobre o número de vítimas ou a extensão total dos danos à saúde dos trabalhadores.

Seversk (1993) – Rússia

Já após o fim da União Soviética, a cidade de Seversk (antiga Tomsk-7), na Sibéria, sofreu um acidente em abril de 1993. Essa era uma das chamadas cidades secretas, focada no processamento de urânio e plutônio para armas nucleares.

Um tanque contendo substâncias radioativas explodiu, liberando uma nuvem contaminada na região. Embora o número de vítimas seja desconhecido devido ao sigilo que ainda envolve a área, sabe-se que gases radioativos foram lançados na atmosfera e a cidade permanece fechada para visitantes não autorizados até hoje.

Submarino K-19 (1961) – União Soviética

Saindo das usinas terrestres, vale mencionar o caso do submarino soviético K-19, apelidado de Fazedor de Viúvas. Em julho de 1961, durante um exercício no Atlântico Norte, o sistema de refrigeração do reator nuclear falhou, ameaçando um derretimento do núcleo.

Para evitar uma explosão nuclear, a tripulação teve que consertar o sistema manualmente, ficando exposta a níveis letais de radiação. O sacrifício dos marinheiros evitou uma catástrofe maior, mas todos os 139 tripulantes a bordo sofreram com a exposição radioativa que vazava do compartimento.

Yucca Flat (1970) – Estados Unidos

Localizada em Nevada, perto de Las Vegas, essa região era usada para testes nucleares subterrâneos. Em dezembro de 1970, a detonação de um dispositivo potente provocou rachaduras inesperadas no solo.

Isso permitiu que detritos radioativos escapassem para a atmosfera, expondo 86 trabalhadores à radiação. Esse evento nos lembra que, além da geração de energia, os testes militares também representaram uma fonte significativa de risco radiológico ao longo da Guerra Fria.

Entenda a diferença entre acidente nuclear e radiológico

É comum confundir os termos, mas essa distinção é importante para a sua prova. 

Acidente nuclear: envolve problemas no núcleo de um reator nuclear, geralmente com reações de fissão em cadeia fora de controle, como ocorreu em Chernobyl e Fukushima. 

Acidente radiológico: como o de Goiânia, acontece com fontes radioativas utilizadas em medicina ou indústria, sem envolver a geração de energia ou reações de fissão em cadeia sustentadas.

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FAQ – Perguntas Frequentes

Qual foi o pior acidente nuclear da história?

O acidente de Chernobyl, na Ucrânia (1986), é considerado o pior da história, atingindo o nível 7 na escala INES. Ele liberou a maior quantidade de material radioativo na atmosfera e causou o maior número de mortes diretas e indiretas a longo prazo, superando Fukushima em impacto global.

Qual a diferença entre o acidente de Chernobyl e o de Goiânia?

Chernobyl foi um acidente nuclear causado pela explosão de um reator de usina, liberando diversos isótopos radioativos. Goiânia foi um acidente radiológico causado pela violação de uma cápsula de Césio-137 de um aparelho médico abandonado, sem envolver usinas ou reações em cadeia.

O que é a escala INES?

A Escala Internacional de Eventos Nucleares (INES) foi criada pela Agência Internacional de Energia Atômica para comunicar a gravidade de incidentes nucleares. Ela varia de 0 (sem significância para a segurança) a 7 (acidente grave com liberação ampla de radiação).

Quais são os principais isótopos liberados em acidentes nucleares?

Os principais são o Iodo-131 e o Césio-137. O Iodo-131 é absorvido rapidamente pela tireoide e pode causar câncer, mas tem meia-vida curta. O Césio-137 tem meia-vida de cerca de 30 anos e se espalha pelos tecidos musculares, representando um risco ambiental de longo prazo.

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