23/12/2021 História

As espécies que desapareceram pela ação da humanidade

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
As espécies que desapareceram pela ação da humanidade

No decorrer de milhões de anos, a Terra foi habitada por uma grande diversidade de seres vivos. Algumas espécies, como os dinossauros, foram extintas em decorrência de mudanças pelas quais o planeta passou. No entanto, muitas outras foram aniquiladas pela ação da humanidade, ou seja, não desapareceram de forma natural.

Acredita-se que a Terra possui, atualmente, 8,7 milhões de espécies de fauna e flora. Alguns estudos mostram que possivelmente o ser humano foi responsável pela extinção de um número entre um milhão e dois bilhões de espécies de animais, vegetais, bactérias e fungos. Comparativamente com outros períodos, o homem acelera o processo de extinção de espécies em até seis mil vezes. 

Ao que tudo indica, a Terra passa pela sua Sexta Extinção, no entanto, essa é diferente das anteriores por ser causada pela ação de uma única espécie: a nossa. Confira a seguir mais informações sobre algumas espécies que desapareceram do planeta devido à ação humana. 

Conheça as espécies que desapareceram pela ação da humanidade

Como citamos acima, algumas espécies desaparecem única e exclusivamente pela ação do homem. Abaixo iremos apresentar com mais detalhes algumas dessas espécies.

Dodô (Raphus cucullatus)

O dodô era uma ave de grande porte que pode ser descrita como um pombo gigante. De plumagem cinzenta e cabeça grande, se tornou o símbolo da ilha de Maurício, no Oceano Índico. Essa ave está presente no livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll de 1865, data posterior ao seu desaparecimento.

Bastante popular após a sua extinção, o dodô é um lembrete do quanto o ser humano tem potencial devastador quando age movido pela ganância. O primeiro registro dessa ave data do século XVI.

O último indivíduo dessa espécie foi avistado em 1681. Os exemplares de dodô pesavam pouco mais de 20 kg e não tinham a capacidade de voar. Na ilha em que habitavam não havia predadores naturais.

Os exploradores que chegaram à ilha descobriram que a carne do animal era uma fonte rápida e fácil de alimento, especialmente porque as aves não sabiam fugir dos caçadores. A ave foi extensamente caçada até que desapareceu por completo. Outro fator que contribuiu para essa extinção foi a introdução de outras espécies na ilha, como porcos e ratos. 

Vaca-marinha-de-steller (Hydrodamalis gigas)

O naturalista alemão Georg. W. Steller foi o responsável pela descoberta dessa espécie em 1741. O mamífero denominado como vaca-marinha-de-steller, embora pudesse medir até dez metros e pesar até dez toneladas, era bastante dócil. 

Encontrado nas áreas costeiras das Ilhas Comandante, próximo da Rússia, tornou-se um dos alvos dos caçadores de focas que desejavam ter alimento farto e fácil para os períodos de jornada marinha. A extinção dessa espécie se deu próximo da década de 1770. 

Tigre-da-Tasmânia (Thylacinus cynocephalus)

Como o nome sugere, o tigre-da-tasmânia podia ser encontrado na região da Tasmânia, um estado insular da Austrália, assim como em outras regiões continentais do país e na Nova Guiné. Considerado como o maior marsupial carnívoro do planeta, era também chamado de lobo-da-tasmânia.

Semelhante aos cangurus, esse animal tinha uma bolsa abdominal. Canídeo tinha hábitos noturnos. A espécie foi considerada oficialmente extinta em 1936. Dentre os fatores que levaram a esse desaparecimento estão a caça excessiva e a introdução de doenças que não existiam na região até aquele momento. 

Em setembro de 2021, foi divulgado um vídeo inédito do último espécime de tigre-da-tasmânia vivo. As imagens de 1933 foram gravadas pelo naturalista David Fleay em um zoológico. Uma curiosidade é que Fleay foi mordido em suas nádegas pelo animal após ter feito as imagens. 

Auroque (Bos primigenius)

O auroque é o ancestral do gado doméstico atual, essa espécie habitava os continentes europeu e asiático além do norte da África. Sua extinção foi causada pela ação do homem.

Com cerca de 1,80 metro, era um animal de grande porte com longos chifres, que se tornaram troféus de caça. O temperamento bastante agressivo do animal parecia servir de incentivo para que fosse cada vez mais caçado. Em 1627, o último indivíduo dessa espécie faleceu na Polônia. 

Mamute-lanoso (Mammuthus primigenius)

Há casos de extinção de espécies em que a ação do homem se somou a fatores naturais, não sendo o único motivo para a eliminação, um exemplo é o do mamute-lanoso. Esse gigantesco mamífero desapareceu há cerca de 7,5 mil anos, ele viveu durante a última Era do Gelo. 

Não se sabe ao certo os motivos que levaram a extinção desse animal, contudo, há uma hipótese que coloca o ser humano como o centro da questão. Porém, um estudo publicado, em 2012, na revista Nature Communications contestou essa teoria, apontando que o desaparecimento pode ter sido gradual e motivado não apenas pela caça do mamute-lanoso, mas também pelas mudanças climáticas e da vegetação.  

Flora sob ameaça

As espécies vegetais também foram alvo da ação devastadora do ser humano no decorrer do tempo. Para se ter uma ideia, o homem foi o responsável pela extinção de cerca de 600 espécies vegetais desde a década de 1750. O desaparecimento dessas espécies ocorreu em uma velocidade 500 vezes mais rápida do que a natural.

O sândalo (Santalum fernandeziaum), das ilhas Juan Fernández, próximo ao Chile, é um bom exemplo. O botânico sueco Carl Skottsberg registrou a espécie pela última vez em 1908. Devido à madeira aromática, a planta foi amplamente explorada, sendo levada à extinção. 

Outra espécie que não existe mais é a oliveira de Santa Helena (Nesiota elliptica), no Oceano Atlântico Sul. A planta foi descrita pela primeira vez no século XIX. No ano de 2003, o último espécime cultivado morreu devido a uma infestação de cupins e infecções por fungos. 

Nesse ritmo inúmeras espécies irão desaparecer do planeta devido à ação da humanidade.

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