01/04/2021 História

Entendendo a Guerra na Síria

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Entendendo a Guerra na Síria

A Guerra na Síria, que teve início em 2011, perdura até os dias de hoje, afetando seriamente a população civil. O conflito se iniciou no contexto da Primavera Árabe, em que houve inúmeros protestos contrários ao governo de Bashar al-Assad. Continue lendo para entender melhor a situação e os motivos que levaram ao conflito.

Guerra na Síria: conheça os motivos do conflito

A Guerra na Síria foi iniciada por um grupo de cidadãos indignado com as denúncias de corrupção feitas pelo WikiLeaks. Foram realizados protestos a favor da democracia ao sul de Derra, em março de 2011. Parte da população se mostrou revoltada com a prisão de adolescentes que haviam escrito palavras revolucionárias na parede de uma escola.

A resposta ao protesto foi bastante violenta, o governo ordenou que as forças de segurança atirassem com armas de fogo contra os manifestantes. Houve muitas mortes. A população ficou ainda mais inflamada com essa repressão e passou a exigir que o presidente Bashar al-Assad renunciasse ao cargo.

Nesse período, o Oriente Médio e o Norte da África enfrentavam a instabilidade gerada pela chamada Primavera Árabe, uma onda de protestos contrários ao governo. Em alguns países, como a Líbia, por exemplo, houve o afastamento do dirigente máximo. Observando esse cenário, o presidente sírio optou por agir com mais violência e utilizou o exército como ferramenta de repressão dos manifestantes.

A resposta da oposição foi começar a se armar e resistir à ação das forças de segurança. Nesse momento, brigadas formadas por rebeldes começaram a assumir o controle de cidades, vilas e do campo com o apoio de países ocidentais, como Estados Unidos, Canadá, França, entre outros.

Ambos os lados do conflito na Síria passaram a impor bloqueios de alimentos e do acesso à água. Inúmeras vezes as forças humanitárias foram impedidas de entrar na zona de conflito para ajudar os civis que ficaram sem recursos básicos. Além de todos esses problemas, ainda há a questão do Estado Islâmico, que vem se lançando na empreitada de conquistar importantes cidades no território sírio.

Guerra na Síria: quais são as forças beligerantes?

Para entender o conflito que se estende por anos na Síria é essencial conhecer melhor as quatro forças beligerantes em atuação.

República Árabe Síria

Sob a liderança do presidente Bashar al-Assad, as Forças Armadas Sírias atuam na tentativa de mantê-lo no poder e se veem enfrentando três forças distintas. O apoio para essa força vem do Irã, Iraque, Rússia e Hezbollah libanês.

Exército Síria Livre

É um exército composto por diversos grupos que se rebelaram contra Bashar al-Assad depois que o conflito teve início em 2011. Entre seus apoios estão Arábia Saudita, Catar e Turquia.

Partido da União Democrática

Esse grupo é formado pelos curdos que reivindicam a sua autonomia dentro da Síria. Também se envolveram nesse conflito os curdos turcos e iraquianos. Esse grupo, assim como o Exército Síria Livre, é apoiado pelos Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Austrália, entre outros. Contudo, tanto Barack Obama quanto Donald Trump se recusaram a fazer uma intervenção militar na região.

Estado Islâmico

O objetivo principal do Estado Islâmico é declarar um califado na região. Embora tenham conquistado importantes cidades, foram derrotados pelas potências ocidentais. Ainda há a questão da diferença sectária entre sunitas e xiitas que contribuiu para alimentar o conflito.

Como a guerra tem afetado a Síria?

A guerra tem sido muito cruel para a população da região. Para se ter uma ideia, além das centenas de milhares de mortes, o conflito já incapacitou mais de 1,5 milhões de pessoas. Nesse número estão mais de 86 mil pessoas que perderam algum membro do corpo.

Estima-se que pelo menos 6,1 milhões de sírios tiveram que abandonar suas casas para procurar por abrigo em alguma parte do país. Outros 5,6 milhões precisaram se refugiar no exterior. Esse já é um dos maiores êxodos da história recente. Quase 92% dos sírios refugiados no exterior estão na Turquia, Líbano e Jordânia, países que estão tendo dificuldades para lidar com o aumento populacional repentino.

Cerca de 3 milhões de pessoas residem em áreas alvos de cerco e com difícil acesso. A ajuda humanitária nem sempre consegue chegar devido às dificuldades impostas pelos dois lados do conflito. Os constantes ataques a instalações médicas têm levado um número exponencial de profissionais de saúde à morte.

Boa parte do patrimônio cultural da Síria foi destruído. Os seis locais considerados como patrimônio da humanidade pela Unesco sofreram graves danos. Há bairros inteiros arrasados em todas as partes da Síria.

A divisão do país

Embora o governo tenha reassumido o controle das principais cidades sírias, ainda há regiões grandes do país sob o controle de grupos rebeldes e da FDS. A província de Idlib, no nordeste do país, é o principal reduto de oposição. Lá vivem mais de 2,6 milhões de pessoas.

Mesmo Idlib sendo designada como uma zona em que não deveria haver conflito, é alvo de forte ofensiva do governo que alega estar realizando o combate de jihadistas associados a Al-Qaeda. Ghouta Oriental também vem sofrendo ataques por terra, os seus 393 mil habitantes estão sob o cerco do governo desde o ano de 2013. Os moradores locais enfrentam bombardeios, falta de alimentos e suprimentos médicos.

A FDS tem o controle de grande parte do território a leste do rio Eufrates, o que inclui a cidade de Raqqa. Até 2017 essa cidade foi considerada como a capital do “califado” que o Estado Islâmico disse ter estruturado. Contudo, agora o grupo tem o controle somente de alguns bolsões na Síria.

Apesar de todos os envolvidos concordarem que é necessária uma solução política, não há indícios de que o conflito chegará ao fim.

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