22/06/2021 História

Quanto tempo durou a gripe espanhola no Brasil?

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Quanto tempo durou a gripe espanhola no Brasil?

Você sabe quanto tempo durou a gripe espanhola no Brasil e como foi a trajetória dessa pandemia em nosso país? Esse é um tema especialmente relevante de ser estudado neste momento em que vivemos a pandemia do novo coronavírus. A pandemia de gripe espanhola ocorreu entre os anos de 1918 e 1920.

Quanto tempo durou a gripe espanhola no Brasil?

A gripe espanhola, doença causada por uma mutação do vírus da gripe, se manteve ativa no Brasil e no resto do mundo entre 1918 e 1920. Historiadores acreditam que a pandemia da Grande Gripe chegou ao Brasil em setembro de 1918, através do desembarque de passageiros contaminados do navio britânico Demerara, vindo de Lisboa, Portugal. Os infectados desembarcaram em Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

Acredita-se, também, que no mesmo mês, marinheiros que prestaram serviço militar em Dakar, desembarcaram infectados em Recife. Bastou pouco mais de duas semanas para que os casos da doença se manifestassem em outras cidades nordestinas e do estado de São Paulo.

A gripe espanhola

Conhecida também como Grande Gripe, a gripe espanhola teve início em janeiro de 1918. Inicialmente, se restringiu à Europa e aos Estados Unidos, no entanto, em alguns meses já estava espalhada pelo mundo. A doença foi responsável pela morte de mais de 10 mil pessoas no Rio de Janeiro e mais de 2 mil em São Paulo.

Surgiu de uma mutação aleatória do vírus da gripe que originou o H1N1. O vírus era facilmente transmitido entre as pessoas pelo contato direto, tosse ou pelo ar. Nessa época, os sistemas sanitários de vários países eram deficitários e tinha o agravante de terem acabado de sair da Primeira Guerra Mundial.

No mundo, foram mais de 50 milhões de óbitos em decorrência de gripe espanhola. Embora não tivesse cura, desapareceu entre o fim de 1919 e início de 1920. Não houve mais registros de casos da doença.

Histórico da gripe espanhola no Brasil

Como citado anteriormente, os historiadores acreditam que a doença chegou ao Brasil em setembro de 1918. Rodrigues Alves, que foi o quinto presidente do Brasil, entre os anos de 1902 e 1906, contraiu a doença. Ele havia sido reeleito em 1918, mas não pode assumir o cargo em decorrência da enfermidade.

O vice-presidente Delfim Moreira tornou-se, então, o primeiro presidente interino do país. Moreira manteve-se no cargo interinamente entre 15 de novembro de 1918 e 28 de julho de 1919, sendo o responsável por conduzir o processo de convocação de novas eleições gerais.

As medidas de prevenção e de distanciamento social demoraram a serem adotadas no Brasil. Essas ações passaram a ser consideradas apenas quando boa parte do país já havia sido afetada.

No período reconhecido oficialmente como pandêmico, entre outubro e dezembro de 1918, foi registrado o número de 65% da população brasileira acometida, dados da Fiocruz. Para se ter uma ideia da gravidade, houve o registro de mais de 14 mil óbitos por gripe espanhola no Rio de Janeiro.

Carlos Chagas

Um nome bastante importante desse período para o Brasil foi o do biólogo e sanitarista Carlos Chagas, responsável por descrever a Doença de Chagas. Venceslau Brás, presidente brasileiro entre 1914 e 1918, convidou o profissional para ser o líder da campanha de combate à gripe espanhola.

Chagas deu grande apoio a pesquisas científicas, além de implementar cinco hospitais emergenciais e 27 postos destinados ao atendimento da população do Rio de Janeiro.

A quarentena da gripe espanhola

No ápice do contágio da gripe espanhola no Brasil, se mostrou necessário fazer a chamada quarentena. Lojas, empresas e escolaas foram fechadas para conter o espalhamento do vírus. Campeonatos esportivos e apresentações artísticas foram cancelados ou adiados.

Há relatos de cidadãos da época de que havia grande apreensão de sair às ruas e ser contaminado. Muitas das vítimas da Grande Gripe foram enterradas como indigentes e em valas comuns. Havia casos em que corpos dos falecidos permaneciam por dias ou semanas nas ruas.

Tratamentos sem comprovação científica

Durante a pandemia de gripe espanhola houve grande disseminação de tratamentos sem eficácia científica. Como não havia internet, as pessoas divulgavam suas dicas através de cartas publicadas em jornais.

Dentre as indicações, sem nenhuma base científica, estavam balas de ervas, pitadas de tabaco e tônicos. Também era bastante disseminada a ideia de queimar alfazema ou incenso para realizar a limpeza do ar, mais uma dica sem embasamento científico.

Um tratamento sem eficácia que se popularizou consideravelmente durante a pandemia da gripe espanhola foi a ingestão de sal de quinino. O remédio era, até então, utilizado para o tratamento da malária e chegou a desaparecer das prateleiras das farmácias. Em um certo momento foi distribuído para a população, mas não tinha nenhuma comprovação científica de eficácia.

Curiosidade

Uma curiosidade é o tratamento alternativo que se tornou popular em São Paulo, que consistia em misturar cachaça, limão e mel. De acordo com especialistas, foi nesse período que a caipirinha foi criada e se tornou popular no Brasil.

A gripe espanhola se manteve ativa no Brasil e no mundo entre 1918 e 1920. 

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