08/02/2021 História

Quem foi o primeiro presidente do Brasil?

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Quem foi o primeiro presidente do Brasil?

Marechal Deodoro da Fonseca foi o primeiro presidente do Brasil, tendo Floriano Peixoto como seu vice. É importante ressaltar que, com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto foram eleitos indiretamente para esses cargos. Sendo assim, o primeiro presidente do país eleito diretamente foi Prudente de Morais.

A seguir explicaremos um pouco mais sobre os mandatos do primeiro presidente eleito indiretamente e do primeiro presidente eleito diretamente, assim como o contexto da queda da monarquia.

Marechal Deodoro da Fonseca: primeiro presidente do Brasil

Marechal Deodoro da Fonseca foi eleito de forma indireta pelo Congresso para assumir o cargo. Personagem controverso da história, nasceu em Alagoas e foi o responsável pela Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Por meio de intervenção militar, a monarquia foi deposta e o regime político democrático instituído no Brasil.

O governo provisório de Fonseca ficou marcado por fortes crises políticas e econômicas. A população ficou bastante revoltada com o autoritarismo do governante provisório. O fim desse problemático mandato se deu em 23 de novembro de 1891, contudo, era para se estender até 1894. O vice Floriano Peixoto assumiu o governo até 1894, quando Prudente de Morais foi eleito.

Prudente de Morais: primeiro presidente do Brasil eleito diretamente

Em 1894, o advogado e político Prudente de Morais se tornou o primeiro presidente do Brasil eleito diretamente. Nascido em Itu, interior de São Paulo, ele era um autêntico representante da oligarquia cafeeira. Embora deixasse transparecer seu caráter elitista, era bastante popular.

Um dos acontecimentos mais marcantes do seu mandato (até 1898) foi a Guerra dos Canudos na Bahia. Esse conflito consistiu no enfrentamento pelo exército de um movimento popular sob o comando de Antônio Conselheiro.

Contexto da Proclamação da República

Antes da Proclamação da República, o Brasil estava sob o regime monárquico (1822 a 1889). Ao longo desse período, o país teve dois imperadores: D. Pedro I e D. Pedro II. O fim do regime monárquico e ascensão da república teve influência de uma série de transformações que culminaram na chegada dos militares ao poder.

Diversas revoltas ocorridas ao longo do período do regime monárquico demonstravam o desejo de um regime republicano. O último dos movimentos de investida contra a monarquia foi a Revolução Farroupilha (1835 a 1845).

Não houve participação popular na instituição da república em 1889, pois o objetivo principal era atender aos interesses da elite econômica dominante. Na prática, a mudança de regime político pouco mudou para as camadas mais pobres da sociedade.

República Velha

O período transcorrido entre a Proclamação da República (1889) e a Revolução de 1930 ficou conhecido como República Velha (também pode ser chamado de Primeira República). Foi uma época marcada por alianças feitas entre os militares e a oligarquia rural. Até 1894, quando Prudente de Morais assumiu como primeiro presidente eleito diretamente, apenas militares governaram o país.

O período de governo do Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto ficou conhecido como República da Espada. De 1894 a 1930, alternavam-se no poder presidencial representantes das oligarquias rurais do Sudeste brasileiro. A dominância política da oligarquia do café de São Paulo e da oligarquia do leite de Minas Gerais recebeu o nome de política do café com leite.

Presidentes da República Velha

Confira, a seguir, os presidentes da chamada República Velha (1889 a 1930):

Deodoro da Fonseca (15.11.1889 a 25.02.1891): eleito indiretamente pelo Congresso após a Proclamação da República.

Floriano Peixoto (23.11.1891 a 15.11.1894): como vice-presidente, assumiu quando Deodoro da Fonseca não teve mais condições de se manter no poder.

Prudente de Moraes (15.11.1894 a 15.11.1898): primeiro presidente eleito diretamente para o cargo. No seu governo ocorreu a Guerra dos Canudos.

Campos Salles (15.11.1898 a 15.11.1902): governo marcado pela austeridade fiscal e consolidação dos interesses da oligarquia cafeeira.

Rodrigues Alves (15.11.1902 a 15.11.1906): a gestão de Rodrigues Alves foi marcada pelo processo de reurbanização e aumento do alcance do saneamento básico, em especial na cidade do Rio de Janeiro, capital federal nesse período.

Affonso Penna (15.11.1906 a 14.06.1909): deu sequência aos projetos de saneamento básico de Rodrigues Alves e reorganizou o instituto de Manguinhos de acordo com as indicações do sanitarista Oswaldo Cruz. Destaque para o foco na imunização da população e prevenção de doenças como a malária.

Nilo Procópio Peçanha (14.06.1909 a 15.11.1910): durante esse governo, houve intensa agitação política devido às discordâncias do presidente com seu opositor Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador. Nesse período foi criado o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, além do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) que antecedeu a Funai.

Hermes da Fonseca (15.11.1910 a 15.11.1914): sobrinho do Marechal Deodoro da Fonseca, Hermes da Fonseca também era militar. Seu governo foi marcado pela chamada “política das salvações”. Logo na primeira semana ocorreu a Revolta da Chibata, motim organizado por marinheiros nos encouraçados em São Paulo e Minas Gerais.

Wenceslau Braz (15.11.1914 a 15.11.1918): governo que ocorreu simultaneamente à Primeira Guerra Mundial na Europa. Um fato marcante desse governo foi a assinatura de declaração de guerra contra a Alemanha, em outubro de 1917, após os alemães afundarem navios mercantes brasileiros no litoral francês.

Delfim Moreira (15.11.1918 a 28.07.1919): foi eleito vice-presidente na chapa com Rodrigues Alves. Contudo, a saúde debilitada de Alves o impediu de assumir o segundo mandato. Moreira manteve-se como presidente interino até que Alves faleceu em 1919. A constituição de 1891 previa, nesse caso, novas eleições.

Epitácio Pessoa (28.07.1919 a 15.11.1922): mais um governo focado nos interesses da oligarquia cafeeira, Epitácio Pessoa chegou a autorizar a emissão de papel moeda e recorrer a empréstimos da Inglaterra para sanar a crise do setor.

Artur Bernardes (15.11.1922 a 15.11.1926): o governo de Artur Bernardes foi marcado pelo estado de sítio decorrente das investidas armadas contra ações tenentistas. Em 1924, Bernardes chegou a bombardear a cidade de São Paulo.

Washington Luís (15.11.1926 a 24.10.1930): último presidente da chamada República Velha, Washington Luís foi deposto do cargo. Seu governo foi marcado pela crise econômica mundial de 1929.

Júlio Prestes: foi eleito presidente em 1930, mas não tomou posse devido a Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas.

Conhecer mais sobre os presidentes da República Velha permite entender um pouco mais sobre o desenvolvimento social do Brasil.

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