15/01/2021 História

A tragédia brasileira com o césio 137

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
A tragédia brasileira com o césio 137

No dia 18 de setembro de 1987, em Goiânia, ocorreu a tragédia brasileira com o césio 137, afetando centenas de pessoas. O acontecimento é considerado como o mais grave acidente radioativo ocorrido fora de uma usina nuclear do mundo e o pior depois de Chernobyl. Para se ter uma ideia, até hoje, mais de 30 anos depois, as vítimas sofrem com as consequências da contaminação.

Siga a leitura para entender como a tragédia aconteceu e quais foram os impactos para as vítimas e a cidade, que é capital do estado de Goiás.

Acidente com césio 137 em Goiânia – Entenda como aconteceu

A tragédia com o césio 137 aconteceu por conta de um fato ocorrido dois anos antes, em 1985, quando o Instituto Goiano de Radioterapia mudou de endereço. Na mudança, foi abandonado um aparelho de radioterapia no local que, posteriormente, veio a causar a contaminação.

Os responsáveis pelo instituto não informaram às autoridades da cidade que haviam deixado no prédio um aparelho que continha em seu interior um elemento com alto poder contaminante, o césio 137 ou cloreto de césio. Até que, em 1987, dois catadores foram até o local abandonado e levaram a máquina para ser vendida em um ferro velho.

Cinco dias após a compra, os funcionários do ferro velho resolveram desmontar o aparelho para ver como poderiam aproveitar as peças. Com o desmonte, foi liberado o césio 137 que havia dentro, como aquelas pessoas não tinham conhecimento do que se tratava, acharam interessante o pó azul que brilhava no escuro.

Alguns dias se passaram até que a contaminação fosse descoberta. Foi a esposa do proprietário do ferro velho que percebeu que pessoas próximas estavam ficando doentes. Quando foram ao hospital, os médicos identificaram que se tratava de um tipo de contaminação por radiação e aí chegaram à origem do problema.

Consequências da tragédia

Nas primeiras horas após o contato com o césio 137, os efeitos físicos causados nas vítimas incluíam tontura, vômito, náuseas e diarreia. Em cerca de 16 dias, várias pessoas começaram a apresentar queimaduras e terem seus corpos mutilados.

Quatro pessoas morreram, incluindo uma menina de seis anos de idade e uma mulher, sobrinha e esposa do proprietário do ferro velho, respectivamente, e mais dois funcionários do estabelecimento. Além disso, muitas pessoas foram hospitalizadas e mais de cem mil habitantes da cidade passaram a ser monitorados.

Vale dizer que o número de vítimas fatais como quatro é o oficial, ocorrido logo após a contaminação. Entretanto, dezenas de pessoas morreram ao longo dos anos seguintes por conta das consequências do contato com o material radioativo e de questões emocionais.

Cerca de 40 imóveis foram considerados contaminados e, por isso, precisaram ser demolidos. O comércio foi prejudicado, pois cidades vizinhas deixaram de comprar produtos de empresas de Goiânia. Todos esses danos, físicos e materiais, fizeram com que o caos fosse instaurado, muitos entraram em pânico com medo de também terem se contaminado.

Todos os rejeitos contaminados pelo césio 137 foram levados para um depósito em Abadia de Goiânia, que fica há cerca de 23 quilômetros da capital. Nesse local fica o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste, que faz parte da Comissão Nacional de Energia Nuclear. São seis toneladas de material, que incluem carros e até partes de casas, que estão em caixas de concreto totalmente lacradas.

As vítimas da contaminação por césio 137 hoje

Alguns meses depois, foi criada uma organização para oferecer suporte às vítimas, a Fundação Leide das Neves Ferreira, que ganhou esse nome em homenagem à menina que perdeu a vida por causa da contaminação. Em 2011, a instituição foi transformada no CARA (Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves).

Hoje, mais de 30 anos depois, muitas famílias ainda sofrem com as consequências da tragédia. O CARA monitora mais de mil pessoas, que foram divididas em grupos de acordo com a gravidade da contaminação que sofreram. O grupo 1 tem cerca de 80 pessoas, é formado por aquelas que tiveram contato direto com o material e apresentam os problemas mais graves.

Os danos emocionais também permanecem, pessoas envolvidas no acidente e famílias que perderam seus entes queridos enfrentam muitas dificuldades para superar o que aconteceu. Ainda há, também, muito preconceito por parte de terceiros que agem como se as vítimas tivessem alguma doença contagiosa, o que torna tudo mais complicado.

O que é o césio 137?

O césio 137, que é o material causador da tragédia, é um radioisótopo, isótopo radioativo do elemento químico césio, que é representado pela sigla Cs. O número 137 vem do seu número de massa, que representa a soma do seu número atômico, que é 55, com o número de nêutrons, 82. Assim, temos: 55 + 82 = 137.

Esse elemento é capaz de emitir radiação através de seu núcleo, por isso, era usado na fabricação de aparelho de radioterapia para tratamentos de câncer. Atualmente, os fabricantes dessas máquinas utilizam o cobalto-60 em vez de césio 137.

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