27/07/2021 Literatura

O Cortiço – Resumo e análise da obra

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
O Cortiço – Resumo e análise da obra

O livro “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, costuma figurar na lista de obras obrigatórias dos principais vestibulares e ser citada nas provas do Enem. Destaca-se por ser uma obra bastante representativa do naturalismo, reforçando as suas teses. Nesse livro, o comportamento dos personagens se dá pela influência do meio, raça e contexto histórico.

Continue lendo para conferir o resumo e a análise de “O Cortiço”.

Resumo de “O Cortiço”

A obra acompanha inicialmente a trajetória de enriquecimento de João Romão, que é dono do cortiço que dá título à obra, da pedreira e da taverna. Um homem ambicioso que se vale de todos os subterfúgios para acumular capital, inclusive roubo e exploração de seus funcionários. Romão é amante de Bertoleza, que trabalha para ele sem descanso, de domingo a domingo.

Em oposição a Romão, há a figura do comerciante Miranda, um homem bem estabelecido que trava uma batalha com o primeiro por uma braça de terra para ampliar seu quintal. Os dois não chegam a um consenso e há o rompimento de relações entre eles.

João Romão se ressente do fato de que Miranda possui uma posição social melhor do que a sua. Para resolver essa questão, Romão passa por privações e trabalha ainda mais para se tornar mais rico do que o rival.

Quando Miranda recebe o título de barão, Romão compreende que não basta apenas ter dinheiro, é preciso ostentar e demonstrar ter classe. Frequentar ambientes refinados, ler romances, usar roupas bonitas, entre outros hábitos da vida burguesa, são necessários para completar a ascensão. A relação de ambos melhora a partir do título de barão, afinal, a superioridade de Miranda está garantida.

João Romão promove uma grande transformação no cortiço para imitar o rival. O lugar perde o ar desorganizado e miserável, passando a ser chamado de Vila João Romão. Visando conquistar uma melhor posição social, ele pede a mão da filha de Miranda em casamento. Mas, para que isso se concretize, precisa se livrar da amante Bertoleza, que quer usufruir da riqueza dele após ter trabalhado tanto.

João Romão denuncia Bertoleza como escrava fugida para os seus donos. Em um gesto desesperado, ela tira a própria vida, liberando o caminho para o casamento de Romão com a filha de Miranda.

A questão da influência do meio é retratada através dos personagens Rita Baiana (mulher negra envolvida amorosamente com Capoeira Firmo) e do português Jerônimo (casado com a portuguesa Piedade). O homem trabalhador muda totalmente seus hábitos quando se apaixona por Rita.

Análise da obra “O Cortiço”

A obra naturalista “O Cortiço” foi lançada em 1890, com excelente recepção da crítica e chegando, inclusive, a tirar o foco de nomes como Machado de Assis. Os 23 capítulos do livro acompanham a vida de pessoas pobres em um cortiço do Rio de Janeiro.

Trata-se de um romance que permite ter um bom panorama do Brasil no século XIX. Não se trata, obviamente, de um documento histórico, haja vista seu caráter literário, mas reflete de forma clara a ideologia e as relações sociais bastantes presentes no país naquele momento histórico.

A influência de Émile Zola

 “O Cortiço” tem como grande influência a obra “L’Assommoir”, do escritor francês Émile Zola. Uma característica marcante do trabalho de Zola é o rigor científico da representação da realidade.

O método de escrita dos naturalistas visava fazer uma crítica contundente à realidade corrompida. Ambos os autores, Zola e Azevedo, utilizam como princípio teórico a degradação humana causada pela miscigenação.

Nos romances naturalistas é possível identificar lugares como personagens ativos da obra. Geralmente, são locais em que vivem pessoas pouco abastadas e de várias etnias, como o cortiço, por exemplo. Inclusive, há um trecho da obra em que Azevedo compara o cortiço a uma estrutura biológica que cresce e tem influência sobre o caráter moral de quem ali vive.

Narrador

O livro de Aluísio de Azevedo é narrado em terceira pessoa, o narrador é do tipo onisciente, ou seja, sabe de tudo, algo recorrente no naturalismo. Esse narrador pode entrar nos pensamentos dos personagens e tentar comprovar suas teses de que o meio está influenciando as atitudes deles. Aparentemente, é imparcial, no entanto, a própria postura de apresentar os fatos de maneira objetiva se mostra tendenciosa do viés ideológico.

Tempo da obra

A história é apresentada de maneira linear, ou seja, tem começo, meio e fim. Embora se passe no Brasil do século XIX, não possui datas especificadas. Há, porém, relação de tempo a partir do processo de desenvolvimento do cortiço e enriquecimento de João Romão.

Espaço

Essa obra possui dois espaços em que a história se desenrola, o primeiro deles é o cortiço, que funciona como um organismo vivo. Trata-se de um amontoado de casebres bastante humildes. Nesse espaço, estão representadas a mistura de raças e promiscuidade dos mais pobres. Junto a esse cenário, estão a pedreira e a taverna, também de João Romão.

O outro espaço é o sobrado com ares aristocráticos de Miranda, ao lado do cortiço. Na obra, a casa representa a burguesia em ascensão do século XIX. O cortiço e o sobrado estão situados no bairro de Botafogo. A beleza exuberante e o calor intenso do clima tropical ajudam a corromper o homem que ali vive.

Animalização

O livro “O Cortiço” é considerado como o melhor representante brasileiro do naturalismo, por trabalhar com as principais características desse movimento. Destacamos o modo como o autor animaliza os personagens, ou seja, eles agem de acordo com seus instintos sexuais e de sobrevivência.

O candidato que vai prestar vestibular deve dar atenção especial à forma como essa característica é trabalhada na obra.

Esse livro é um exemplo do que é literatura naturalista. Para conferir mais conteúdos de literatura, além de dicas para um bom desempenho no Enem e no vestibular, navegue pelo blog do Hexag Medicina!

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