08/03/2021 Português

Figuras de construção ou sintaxe – Um subgrupo das figuras de linguagem

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Figuras de construção ou sintaxe – Um subgrupo das figuras de linguagem

As figuras de construção ou sintaxe formam um subgrupo das figuras de linguagem juntamente às figuras de pensamento, figuras de som e figuras de palavras. Elas têm como objetivo oferecer mais expressividade ao texto através de modificações de períodos, ou seja, por meio de interferência na estrutura gramatical da frase.

Essas figuras de linguagem podem ser empregadas de inúmeras maneiras na frase, seja na omissão de termos, repetição ou inversão. Continue lendo para entender melhor.

O que são figuras de construção ou sintaxe?

Como já mencionamos, as figuras de construção ou sintaxe formam um subgrupo de figuras de linguagem. Sua nomenclatura se deve ao fato de que são figuras que modificam a estrutura da oração com objetivos de enunciação com a função de dar ênfase a ela.

Convencionalmente, a estrutura sintática da língua apresenta uma sequência que é marcada pelos elementos: sujeito + predicado + complemento. Um exemplo é a seguinte frase “Chegamos atrasados à premiação”. Nessa frase temos o sujeito oculto “nós”, um predicado verbal (chegamos atrasados) e, por fim, o complemento (à premiação). Contudo, algumas vezes essa ordem pode passar por alterações.

As figuras de construção e sintaxe são usadas justamente para romper com essa sequência lógica. A literatura e a publicidade utilizam consideravelmente essas figuras de linguagem para chamar atenção para seus discursos. Essa ruptura com a forma convencional pode acontecer através da inversão, repetição ou omissão de termos.

Figuras de construção ou sintaxe: conheça essas figuras de linguagem

Confira, a seguir, explicações e exemplos sobre as diferentes figuras de construção e sintaxe.

Elipse

Essa figura de construção se caracteriza pela omissão de um ou mais termos que não foram anteriormente apresentados no discurso. Porém, são fáceis de identificar pelo receptor.

Exemplo: Estávamos nervosos esperando o resultado do vestibular. (Nessa frase o verbo “estávamos” substitui o termo oculto “nós”).

Zeugma

Semelhante à elipse, a zeugma também omite um ou mais termos na oração. Contudo, seu objetivo é evitar que haja repetição do verbo ou substantivo.

Exemplo: Larissa usou meias brancas, eu (usei) amarelas.

Hipérbato ou Inversão

Figura de linguagem que propõe a inversão da ordem direta dos termos da oração de acordo com a construção sintática convencional (sujeito + predicado + complemento).

Exemplo: Melancólico estava Cláudio. (O estado do sujeito é apresentado antes do seu nome na frase, alterando, assim, a construção sintática convencional que seria: Cláudio estava melancólico.

Silepse

Nessa figura de linguagem é feita a concordância da ideia e não do termo usado. As classificações de silepse são:

Silepse de gênero: quando há discordância entre os gêneros (feminino e masculino).

Silepse de número: nesse caso, há discordância entre singular e plural.

Silepse de pessoa: há discordância entre o sujeito (na terceira pessoa) e o verbo (na primeira pessoa do plural).

Exemplos:

Rio de Janeiro é maravilhosa. (silepse de gênero)

Um bando (singular) de homens (plural) comemoravam o resultado. (silepse de número)

Todos os jogadores (terceira pessoa) estamos (primeira pessoa do plural) preparados para a prorrogação do jogo (silepse de pessoa).

Assíndeto

Para que fique claro o que é assíndeto, precisamos fazer a observação a respeito do conceito de síndeto. Síndeto é uma conjunção coordenativa usada para a união de termos em orações coordenadas. Assíndeto, por sua vez, apresenta ausência de conjunções.

Exemplo: Luiza comprou mangas para comer, (e) laranjas para fazer suco.

Polissíndeto

O polissíndeto se caracteriza por fazer a repetição da conjunção coordenativa (conectivo), ao contrário do assíndeto.

Exemplo: Lara dançava, e falava, e bebia.

Anáfora

Figura de linguagem que faz a repetição de termos no início das frases, muito usada por escritores que estão construindo versos com o objetivo de dar mais ênfase à sua ideia.

Exemplo: Se eu olhasse, se eu sorrisse, se eu perdoasse. (O uso repetido do termo “se” reforça a condicionalidade do emissor do discurso).

Anacoluto

Através de uma pausa no discurso, o anacoluto altera a sequência lógica da estrutura da frase.

Exemplo: Esses planos de saúde de hoje, não se pode confiar. (Uma sequência lógica para essa frase seria “Esses planos de saúde de hoje não são confiáveis” ou então “Não se pode confiar nesses planos de saúde de hoje”).

Pleonasmo

Redundância ou repetição enfática de um termo que parece ser desnecessário no discurso. Quando essa repetição é internacional recebe o nome de pleonasmo literário, sendo, então, uma figura de linguagem. Porém, quando ocorre por desconhecimento das normas gramaticais caracteriza-se como pleonasmo vicioso, sendo um vício de linguagem.

Exemplo: Entrou para dentro da sala. (Ao dizer que alguém entrou em um ambiente é desnecessário dizer que foi “para dentro”, pois a ideia já está implícita).

Agora você já conhece as figuras de construção ou sintaxe! Para conferir mais conteúdos de língua portuguesa, além de dicas para ter um bom desempenho no Enem e no vestibular, fique ligado no blog do Hexag Medicina!

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