28/12/2021 Saúde

Eco-ansiedade: o mal de quem está aflito com a mudança climática

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Eco-ansiedade: o mal de quem está aflito com a mudança climática

O tema da mudança climática tem estado cada vez mais em pauta em decorrência do aumento de desastres ambientais. Esse cenário ambientalmente caótico tem afetado a saúde mental de muitas pessoas e adicionou um novo problema para a lista de preocupações dos profissionais de psicologia: a eco-ansiedade. Continue lendo para entender melhor.

Preocupação com a mudança climática: entendendo o que é eco-ansiedade

Vivemos um momento em que a saúde mental está sendo amplamente discutida pelas grandes mídias. Problemas como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático já se tornaram conceitos relativamente conhecidos pelo grande público.

No entanto, nos últimos anos, os efeitos da mudança climática no mundo vêm gerando um novo problema para adicionar a essa lista: a eco-ansiedade. Em linhas gerais, a eco-ansiedade se caracteriza como o medo crônico da ocorrência de desastres ambientais devido às mudanças climáticas.

Essa ansiedade de viés ambiental pode ser detectada em jovens e adultos. Indivíduos afetados pelo problema costumam ser inquietos em relação ao seu futuro e ao futuro das próximas gerações. 

Contudo, por mais que estejamos diante de um cenário realmente preocupante, é essencial manter os sentimentos proporcionalmente alinhados com as suas responsabilidades e possibilidades. 

A contribuição de todos é importante para construir um mundo mais sustentável, porém, os grandes responsáveis pela crise climática são as grandes corporações e as lideranças políticas que tomam as decisões que impactam nas mudanças climáticas. 

Preocupar-se é natural, mas não pode ultrapassar o limiar do aceitável para não gerar uma culpa inexistente. O conhecimento é sempre o melhor caminho, informar-se sobre as mudanças climáticas é a melhor maneira de direcionar seu desejo de contribuição. Quando se tem conhecimento a respeito de uma situação é mais fácil enxergar uma saída.

Cenário realmente preocupante

A eco-ansiedade tem se tornado um problema cada vez mais presente na sociedade devido à compreensão do cenário realmente caótico que vem se delineando para o futuro. Estamos diante de uma situação limite, de acordo com as projeções dos cientistas, o aquecimento global pode transformar completamente o mundo como conhecemos.

Entre as consequências dessa mudança climática estão a possível redução das chuvas na região central do Brasil, elevação do nível do mar (decorrente do derretimento das geleiras) e completo desaparecimento de cidades litorâneas e países insulares. Diante desse possível futuro, é realmente difícil se manter calmo, pois há a possibilidade de que a vida como conhecemos em nosso planeta seja totalmente transformada.

Um estudo realizado pela Universidade de Bath, no Reino Unido, com dez mil voluntários de dez países, concluiu que quase metade deles percebia impactos da preocupação climática em suas vidas diárias. Para 75% dos participantes, o futuro parecia assustador. O medo do que vem pela frente e o sentimento de impotência contribuem para desencadear a ansiedade ecológica. 

Onipresença

Um dos fatores que ajudou no surgimento da eco-ansiedade é a onipresença da questão ambiental nas grandes mídias. Diariamente, temos acesso a reportagens e conteúdos a respeito de como a ação humana vem prejudicando o meio ambiente, levando a uma série de desastres ambientais.

O consumo frequente desses conteúdos pode levar ao desenvolvimento de sentimentos de culpa, angústia e desamparo. Essa presença constante do tema em todos os lugares também contribuiu para despertar pessoas que tinham uma atitude passiva em relação a temas como aquecimento global.

A conscientização a respeito da verdadeira situação climática está alcançando um número maior de indivíduos. Conforme as pessoas tomam ciência do que está acontecendo e do que o futuro reserva, tendem a se tornar mais afetadas pela questão climática.

Eco-ansiedade e a saúde mental

A saúde mental se tornou um tema mais em pauta nos últimos anos, contudo, existem certos estigmas relacionados a ela. Doenças sérias como depressão, por exemplo, ainda podem ter sua severidade questionada por pessoas sem a devida informação.

Se a depressão, já tão amplamente discutida pela mídia, pode ser encarada como “frescura” por alguns, imagine a eco-ansiedade, um termo relativamente novo. Para algumas pessoas, além das incertezas em relação ao futuro, há a vivência das consequências concretas das mudanças climáticas.

existem populações inteiras se deslocando em decorrência de grandes desastres ambientais ou falta de acesso a recursos básicos para a vida, como água potável. Trata-se de um problema real com consequências no presente.

Dessa forma, fica evidente que existem pessoas mais vulneráveis à eco-ansiedade do que outras. Essa preocupação inquietante pode se manifestar com mais facilidade em refugiados, pessoas com algum tipo de transtorno mental ou que pertençam às camadas menos favorecidas da sociedade.

Quanto mais suscetíveis aos efeitos das mudanças climáticas, mais os indivíduos tendem a se preocupar. Não devemos subestimar o crescimento dos níveis de eco-ansiedade.

Pedir ajuda é essencial

Ressaltamos que sentir-se mal e preocupado com a mudança climática é normal até certo ponto. O medo, a raiva e a tristeza fazem parte de diferentes âmbitos da vida. Temer desastres ambientais faz sentido no contexto em que vivemos, no entanto, esse sentimento não pode se transformar na principal pauta da sua existência.

Se esse sentimento se tornar enraizado e pesado, é importante buscar ajuda profissional para combater suas possíveis consequências. E lembre-se que fazer a sua parte, ainda que pequena, para ajudar o meio ambiente, também contribui para melhorar o seu bem-estar mental.

A eco-ansiedade é uma realidade na sociedade atual e devemos tratá-la de acordo com sua severidade!

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