03/05/2021 Biologia

As Leis de Mendel – Introdução e principais pontos abordados

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
As Leis de Mendel – Introdução e principais pontos abordados

As Leis de Mendel (também chamadas de Leis da Hereditariedade) tornaram-se a base para o desenvolvimento dos estudos de genética. O monge Gregor Mendel foi o responsável pela postulação dessas leis no século XIX.

Porém, a comunidade científica contemporânea a Mendel não compreendeu o significado dos resultados significativos de seus experimentos. Continue lendo para conhecer mais sobre o tema.

Leis de Mendel: introdução

No século XIX, o monge Gregor Mendel realizou experimentos que objetivavam compreender como as características de um organismo eram transmitidas para seus descendentes. Os resultados obtidos pelos estudos, embora tivessem grande importância, foram incompreendidos pela comunidade científica da época. Assim, Mendel não obteve reconhecimento durante a sua vida.

No século XX, Gregor Mendel passou a ser chamado de o “Pai da Genética”, os seus estudos foram redescobertos a partir de 1900, dando origem ao que se conhece atualmente como Genética Mendeliana. Os pesquisadores e geneticistas compreenderam o conteúdo dos seus experimentos e reconheceram a genialidade do trabalho.

Quem foi Gregor Mendel?

Gregor Johann Mendel nasceu em uma família de fazendeiros que residiam na antiga Áustria, região que é a atual República Tcheca. Entrou para um mosteiro da Ordem de Santo Agostinho quando tinha apenas 21 anos de idade. Foi a partir da entrada no mosteiro, que ele teve a oportunidade de estudar.

Mendel sempre teve muito interesse em estudar plantas e meteorologia, tendo sido o fundador da Associação Meteorológica Austríaca. Tornou-se professor de ciências naturais na Escola Superior de Brno e foi a partir daí que deu início aos seus experimentos de cruzamentos de espécies, com destaque especial para as ervilhas.

Os estudos realizados por Mendel renderam dois grandes trabalhos: “Ensaios com plantas híbridas” e “Hierácias obtidas pela fecundação artificial”. O monge se dedicou, também, a uma linha de pesquisa relacionada ao cruzamento de linhagens de abelhas para obter aumento da produção de mel. Gregor Mendel faleceu em 1884, em decorrência de uma doença renal crônica.

Ervilhas-de-cheiro

No século XIX, não se tinha conhecimento a respeito dos mecanismos hereditários que transmitiam características de um organismo para os seus descendentes. A falta de estudos sobre o DNA e material genético, que passou a ser feito somente a partir do século XX, eram os principais fatores para esse desconhecimento. Mendel se propôs a estudar esses mecanismos.

Ele identificou que as ervilhas-de-cheiro (Pisum sativum) eram perfeitas para utilizar em seu estudo. Essa planta, entre outros benefícios, apresenta ciclo de vida curto, é fácil de cultivar, produz bastante sementes (algo que permite análise estatística mais confiável) e possui capacidade de autofecundação.

Experimento de Mendel

O experimento de Mendel consistiu em fazer o cruzamento entre as “linhagens puras” de ervilhas, o que hoje em dia é chamado de linhagens homozigóticas. Ele considerava que uma linhagem era pura quando apresentava as mesmas características após seis gerações. As plantas puras eram chamadas de geração parental, a sua representação era feita pela letra P.

O cientista realizou a fecundação cruzada entre as linhagens puras (geração parental). Basicamente ele retirou pólen de uma planta pura e depositou no estigma de outra linhagem pura, mas que apresentasse característica distinta da primeira. Um exemplo para ficar mais claro é imaginar que ele usou uma linha pura de ervilhas amarelas cruzada com uma linhagem pura de ervilhas verdes.

Foram, então, gerados os descendentes diretos da primeira geração, que receberam o nome de filhos primária, sendo representados por F1. O passo seguinte foi a realização da autofecundação da geração F1 com a geração de descendentes, que receberam o nome de filhos secundária (F2). Foi a partir dos descendentes (F1 e F2) que Mendel postulou as duas Leis de Mendel.

Observações de Mendel

Na realização desse experimento, Mendel observou características como cor e textura da semente, cor e forma da vagem, cor da casca da semente, posição e altura das flores.

Primeira Lei de Mendel ou Lei da Segregação dos Fatores

Mendel verificou que a geração F1 do cruzamento de ervilhas de linhagem pura com semente amarela e ervilhas com semente verde resultou somente em ervilhas de sementes amarelas, ainda que fosse híbrida (resultante da fecundação de duas linhagens diferentes, que atualmente recebe o nome de heterozigótica).

A geração F2, por sua vez, contava com plantas de sementes amarelas e sementes verdes. A proporção era de três sementes amarelas para cada uma semente verde. Logo, o resultado foi de 75% dos descendentes com sementes amarelas e 25% dos descendentes com sementes verdes.

Mendel identificou que existia um fator dominante agindo nas características observadas. De acordo com ele, as características de um indivíduo são resultantes de dois fatores que se separam na formação dos gametas e unidos na fecundação.

Os fatores apresentam uma relação de dominância, em que um é expresso através das características observadas. A característica expressada é chamada de Fator Dominante e a característica não expressada é chamada de Fator Recessivo.

A primeira Lei de Mendel é também chamada de Lei da Segregação dos Fatores, Teoria Cromossômica da Herança ou somente de Monoibridismo. A postulação diz que: “Cada caráter é determinado por um par de fatores separados na formação dos gametas, indo um fator do par para cada gameta, que é, portanto, puro”.

Segunda Lei de Mendel ou Lei da Segregação Independente

Mendel desejava estudar a relação existente entre duas ou mais características nos mecanismos de herança. O método adotado para tal foi o de analisar as características de cor e textura das sementes.

Ele realizou o mesmo experimento utilizado para a elaboração da Primeira Lei. Foram cruzadas linhagens puras de ervilhas com sementes amarelas e lisas (características dominantes) com linhagens puras de ervilhas com sementes verdes e rugosas (características recessivas).

A geração F1 tinha apenas ervilhas de sementes amarelas e lisas, enquanto na geração F2 se pode observar linhagens híbridas com características distintas. A geração F2 foi composta de 16 indivíduos, sendo que 9 deles tinham sementes amarelas e lisas, 3 tinham sementes verdes e lisas, 3 tinham sementes amarelas e rugosas e apenas 1 tinha semente verde e rugosa.

Isso fez com que Mendel concluísse que as características eram transmitidas de maneira independente. Os fatores de características distintas eram segregados de forma independente, dando origem a indivíduos com características não relacionadas. Uma semente amarela não necessariamente seria lisa e uma semente verde não seria obrigatoriamente verde.

A Segunda Lei de Mendel pode ser chamada também de Lei da Segregação Independente, Separação Independente dos Fatores ou somente de Diibridismo. A postulação diz: “Características diferentes são herdadas independentemente das diferenças em outras características observadas”.

Hoje em dia, em decorrência dos avanços genéticos, já sabemos que esses fatores são os genes e que o par de fatores são os genes alelos encontrados em cromossomos homólogos. Mendel deixou uma grande contribuição para a genética.

As Leis de Mendel são a base para o estudo da genética. Para conferir mais conteúdos de biologia, além de dicas para o Enem e o vestibular, navegue pelo blog do Hexag Medicina!

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