14/07/2021 Literatura

Resumo das escolas literárias no Brasil

Escrito por Hexag Educação @hexagmedicina
Resumo das escolas literárias no Brasil

As escolas literárias no Brasil começaram a se desenvolver durante o século XVI, período em que o território havia sido recém-descoberto e estava passando pelo processo de colonização.

A literatura brasileira tem uma história de cerca de quinhentos anos, relativamente pouco tempo em comparação com as escolas literárias europeias milenares. Continue lendo para saber mais.

Contextualização das escolas literárias no Brasil

O início da construção de conteúdo das escolas literárias no Brasil se deu a partir do Quinhentismo. É possível dividir as escolas literárias nacionais em dois momentos de destaque: Era Colonial e Era Nacional. A emancipação política do país é o que separa esses dois períodos.

A primeira era da literatura brasileira se deu durante o período colonial e tem grande influência de Portugal. Por sua vez, a Era Nacional direcionou seu foco para as características singulares dos brasileiros.

A ideia de uma identidade nacional passou a ser trabalhada unindo-se às influências portuguesas. Entende-se que foi na Era Nacional que a autonomia literária do Brasil finalmente foi conquistada.

Era Colonial

As escolas literárias da Era Colonial têm como principal característica a grande influência portuguesa na produção literária. Tem início com o descobrimento do Brasil e se estende até poucos anos antes da independência do país.

Quinhentismo (1500-1601)

Período em que foram retratados aspectos relacionados ao descobrimento do Brasil. O ponto inicial foi a chegada da frota liderada por Pedro Álvares Cabral ao território nomeado como Ilha de Vera Cruz, em 22 de abril de 1500. Essa escola literária se baseia em cartas, sermões e crônicas escritas no período.

Os textos dessa escola literária se caracterizam por ter caráter informativo e didático. As obras e autores de destaque são: “Carta de Pero Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel”, de Pero Vaz de Caminha; “Tratado da Terra do Brasil”, de Gândavo e “Poema à Virgem”, de José de Anchieta.

Barroco (1601 – 1768)

Essa escola literária surge em um período em que a arte está ganhando destaque e há abertura para questionamentos filosóficos a respeito da existência do homem. A literatura chega com a proposta de levar o homem a uma redescoberta da sua fé.

Tem como principal característica o exagero, rebuscamento e ênfase em detalhes. O destaque fica para o conceptismo e o cultismo. As obras e autores que se destacam nessa escola são: “Triste Bahia”, de Gregório de Matos; “Música do Parnaso”, de Botelho de Oliveira e “Prosopopeia”, de Bento Teixeira.

Arcadismo (1768 – 1808)

Escola literária que tem como principal proposta reconectar o homem à natureza pela arte. Baseia-se no resgate de conceitos da antiguidade clássica em que não havia separação da arte e da técnica. O processo não estava necessariamente relacionado à habilidade e sim ao saber fazer.

A simplicidade é a principal característica desse período. As obras e autores de destaque do período são: “Caramuru”, de Santa Rita Durão; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga e “Obras Poéticas”, de Cláudio Manuel da Costa.

Era Nacional

As escolas literárias dessa era têm como principal característica a autonomia da literatura brasileira, afinal, nessa fase o país já é independente.

Romantismo (1836 – 1881)

Há valorização dos sentimentos e de sua expressão, a dualidade entre amar e sofrer passa a se destacar. O Romantismo é dividido em três fases distintas, sendo:

1ª Fase – Nacionalismo e indianismo

Obra de destaque: “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias.

2ª Fase – Egocentrismo e pessimismo

Obra de destaque: “Lira dos Vinte Anos”, de Álvares de Azevedo.

3ª Fase – Liberdade

Obra de destaque: “O Navio Negreiro”, de Castro Alves.

Realismo (1881 – 1893)

Escola literária que aponta o homem como sendo fruto do meio. Faz duras críticas ao capitalismo e à valorização demasiada do dinheiro. O homem passa a ser descrito de forma realista com qualidades e defeitos.

Há o entendimento de que nem sempre o homem é mau e torna-se pelo estímulo do meio. Trabalha com linguagem objetiva. Obra de destaque: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

Naturalismo (1881 – 1893)

O naturalismo se difundiu paralelamente ao realismo. É possível observar intercessões entre os dois conceitos, mas com ressalvas. No naturalismo também há a crença de que o homem é fruto do meio e muda conforme os estímulos que recebe.

O ponto diferencial entre as duas escolas está no fato de que no romance naturalista há mais ênfase na comunidade pobre. A linguagem utilizada é mais próxima da coloquial. Obra de destaque: “O Mulato”, de Aluísio de Azevedo.

Parnasianismo (1881 – 1893)

Escola literária que se caracteriza pela produção de rimas ricas e uso de uma linguagem bem particular. O parnasianismo é o oposto do romantismo, seu objetivo é retratar a realidade sem uso de enfeites. A arte é feita pela arte, há culto à forma. Obra de destaque: “Tratado de Versificação”, de Olavo Bilac.

Simbolismo (1893 – 1910)

O simbolismo traz a busca por novos conceitos sociais, podemos observar os conceitos das escolas anteriores se dissolverem. É uma escola literária que se caracteriza pelo subjetivismo, espiritualidade e misticismo. Obras de destaque são: “Kyriale”, de Alphonsus de Guimarães; “Eu”, de Augusto dos Anjos e “Tropos e Fantasias”, de Cruz e Sousa.

Pré-Modernismo (1910 – 1922)

Um período em que ainda havia a busca por novos conceitos, mas sem nada concretamente formado. Os escritores do período notoriamente tentavam ser mais modernos, mas ainda estavam engessados. Obras de destaque: “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto; “Canaã”, de Graça Aranha e “Os Sertões”, de Euclides da Cunha.

Modernismo (1922 – 1950)

Seu marco inicial foi a Semana de Arte Moderna de 1922 e chegou trazendo uma nova linguagem para a literatura brasileira. Sem apego ao passado, trouxe uma proposta completamente nova. O modernismo é dividido em três fases:

1ª Fase – Busca pela renovação estética e maior radicalismo. A obra de destaque é “Libertinagem”, de Manuel Bandeira.

2ª Fase – Foco em temáticas nacionalistas. Obra de destaque: “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos.

3ª Fase – Marcada por inovações linguísticas e mais experimentações artísticas. Obra de destaque: “A Legião Estrangeira”, de Clarice Lispector.

Pós-Modernismo (1950 – até hoje)

Mantém o conceito liberal do Modernismo e apresenta poesia com variação contemporânea com foco no dia a dia. Tem multiplicidade de estilos e combina diferentes tendências. Obras de destaque: “Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos”, de Millôr Fernandes; “Agora é que são Elas”, de Paulo Leminski e “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

Agora você já conhece as escolas literárias do Brasil! Para conferir mais conteúdos de literatura navegue pelo blog do Hexag Medicina!

 

Retornar ao Blog